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Partido de Mugabe terá maioria no Parlamento, diz comissão

Zanu-PF ocupará pelo menos 137 das 210 cadeiras, segundo Comissão Eleitoral

Por Da Redação 2 ago 2013, 18h09

Os primeiros resultados das eleições no Zimbábue indicam que o partido de Robert Mugabe, o Zanu-PF, conquistou a maioria no Parlamento. Segundo a Comissão Eleitoral do país, a legenda ficou com 137 das 210 cadeiras. O órgão ainda não divulgou o resultado da disputa presidencial, mesmo assim, o Zanu-PF reivindicou a vitória de Mugabe, de 89 anos, na quinta-feira. O pronunciamento foi feito em meio aos protestos da oposição contra a legitimidade das eleições.

O autocrata Mugabe, no poder desde a independência do país, em 1980, teve como rival o primeiro-ministro, Morgan Tsvangirai. A votação foi acompanhada por representantes da União Africana e da Comunidade de Desenvolvimento Sul-africana (Sadc). As duas entidades declararam que o pleito foi “livre e pacífico”.

No entanto, alegações de que os resultados foram forjados pelos apoiadores de Mugabe surgiram logo após o encerramento da votação. Tsvangirai, líder do partido Movimento por Mudança Democrática (MDC), considerou o pleito uma “grande farsa”. “Em nossa opinião, as eleições são nulas. É uma farsa que não reflete a vontade popular”.

Mesmo a União Africana indicou que alguns de seus observadores constaram problemas como votos de eleitores negados, publicação tardia de zonas eleitorais e parcialidade da imprensa. E a Rede de Apoio à Eleição no Zimbábue – o maior grupo nacional de monitoramento do processo eleitoral, com cerca de 7 000 representantes no país – afirmou que o pleito foi “seriamente comprometido” pelo fato de 1 milhão de pessoas não terem conseguido votar.

Temor – As eleições presidenciais do Zimbábue foram marcadas pelo próprio Mugabe para 31 de julho. O premiê Tsvangirai chegou a dizer que o mandatário agiu de forma “inconstitucional e unilateral” ao convocar o pleito sem consulta ao Parlamento. Mugabe, por sua vez, justificou a data escolhida para a votação com base no prazo estipulado pela Corte Constitucional, que se encerrava justamente no fim de julho.

As reclamações da oposição levantaram o temor de que o país pudesse sofrer novamente com conflitos como os registrados na última eleição, em 2008, quando mais de 200 pessoas morreram depois que Mugabe foi reeleito num segundo turno em que era o único candidato. Para conseguir o resultado, o déspota usou de truculência contra a oposição. Tsvangirai, que tinha vencido o primeiro turno com 48% dos votos, foi preso várias vezes. Pelo menos 2 000 de seus partidários foram igualmente detidos. Outros oitenta foram assassinados por esquadrões da morte a serviço do governo. A retirada da candidatura de Tsvangirai, que se refugiou na Embaixada da Holanda, foi uma tentativa de interromper a chacina.

No ano seguinte, o MDC se uniu ao Zanu-PF em uma difícil coalizão formada com o intuito de evitar novos confrontos. Tsvangirai foi alçado ao cargo de primeiro-ministro e ficou acertado que Mugabe teria de consultá-lo antes de tomar determinadas decisões, como convocar uma nova eleição. Posteriormente, o premiê tentou promover mudanças fundamentais nos setores de segurança e imprensa, mas o ditador se negou a endossar os projetos.

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