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Partido de Berlusconi eleva a tensão com o governo italiano

Bancada do Partido da Liberdade abandonou o Senado durante votação de uma moção de confiança no governo Monti. Ação pode ser repetida na Câmara

Por Da Redação 6 dez 2012, 14h53

A bancada do partido Povo da LIberdade (PDL), de Silvio Berlusconi, abandonou o Senado nesta quinta-feira durante a votação de uma moção de confiança em um pacote de medidas econômicas do primeiro-ministro Mario Monti. A retirada do principal partido de centro-direita não impediu que a moção fosse aprovada, mas elevou a tensão política na Itália antes das eleições parlamentares previstas para março.

O Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, afirmou que, se o PDL também deixar a votação na Câmara Baixa, isso indicaria que Monti não possui o apoio da maioria no Parlamento. Nesse caso, assinalou o PD, o presidente Giorgio Napolitano deveria antecipar as eleições. “Temos de ver se foi uma abstenção em apenas uma votação ou uma abstenção política mais ampla”, disse o líder do PD, Pier Luigi Bersani.

Retorno – Em uma atmosfera política cada vez mais efervescente, Berlusconi deu uma forte indicação na noite de quarta-feira de que voltará atrás do que vem afirmando e poderá buscar um quinto mandato como primeiro-ministro.

Em uma entrevista à TV estatal RAI, o ministro da Indústria, Corrado Passera, expressou forte objeção ao retorno do bilionário de 76 anos que deixou o poder em meio a escândalos políticos e pessoais no auge da crise financeira da zona do euro, no ano passado. “Tudo o que possa levar nossos parceiros ou o restante do mundo a imaginar que estamos voltando para trás não é algo bom para a Itália”, disse.

A saída dos senadores do PDL foi uma resposta por meio de uma ação simbólica limitada e não de uma abstenção ou do voto contrário à moção de confiança, o que poderia ameaçar o governo de Monti, há um ano no poder.

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No final da votação, o governo obteve com facilidade o voto de confiança no Senado, por 127 a 17, com 23 abstenções. Mas a disputa levantou rumores de que Monti poderia renunciar, o que teve impacto nos mercados financeiros, que temem a renovação das turbulências na terceira economia da zona do euro.

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Monti é visto como o responsável pelo restabelecimento da credibilidade da Itália no mercado internacional desde que assumiu o lugar de Berlusconi. No entanto, ele depende do apoio tanto do PDL como do PD no Parlamento, numa aliança marcada por desentendimentos.

(Com agência Reuters)

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