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Participação feminina na política chinesa segue restrita

Número de mulheres no Politburo passou de um para dois, o que não significa necessariamente um avanço. Liu Yandong ficou fora da alta cúpula

Por Da Redação 15 nov 2012, 17h55

A troca de comando no Partido Comunista da China, anunciada nesta quinta-feira, deixou as mulheres fora do Comitê Permanente do Politburo, a mais alta instância decisória do partido. O número de membros do comitê – colegiado que governa o país – caiu de nove para sete. Todos os membros são homens. Nunca uma mulher fez parte do seleto grupo.

Entre os 25 membros do Politburo, o número de mulheres subiu de um para dois. Liu Yandong, que já fazia parte da cúpula do partido, e Sun Chunlan, nova chefe do partido na província de Fujian (sudeste da China) – no total, 15 novos nomes foram anunciados, uma renovação de 60%.

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O anúncio dos novos comandantes mantém a participação das mulheres na política chinesa como algo um tanto simbólico, como analisou Xi Chen, professor assistente de ciência política na Universidade do Texas-Pan American. “Eu acho que a participação das mulheres na política da China permanece altamente simbólica, devido a complicados fatores sociais, culturais e políticos”, disse, em entrevista à rede CNN no início desta semana.

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A reportagem cita alguns importantes progressos feitos pelas mulheres chinesas nos últimos anos, como a média de quase nove anos de educação em comparação com menos de três anos no ano 2000. A educação, no entanto, não representa maior poder econômico ou político, aponta a reportagem. “É possível ver isso nos locais de trabalho, há uma discriminação de gênero sistemática relacionada a contratação e promoção”, afirmou Leta Hong Fincher, doutoranda da Universidade Tsinghua que estuda questões de gênero na China. “É claro que você vai ter algumas mulheres incrivelmente bem-sucedidas. Mas isso não diz nada sobre o status da maioria das mulheres”.

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Em matéria publicada em outubro, o jornal britânico The Guardian descreveu Liu como disciplinada, vinda de uma família poderosa e com experiência na Liga da Juventude Comunista, currículo semelhante ao da maioria dos membros do Politburo. “Ela é extremamente qualificada, incrivelmente competente e notavelmente conhecedora de política (…). Infelizmente, sua promoção não depende somente de seu talento”, avaliou Russell Leigh Moses, do Centro de Estudos Chineses de Pequim, em entrevista ao jornal.

Um dos possíveis obstáculos no caminho de Liu rumo à alta cúpula comunista pode ter sido sua idade. Ela nasceu em 1945. Os comandantes chineses se aposentam aos 68 anos.

De personalidade discreta, Sun Chunlan nasceu em 1950 e era secretária do partido em Fujian desde 2009.Antes, serviu como secretária do partido na cidade de Dalian, na província de Liaoning, entre 2001 e 2005. Neste período, ela removeu aliados de Bo Xilai muito antes da expulsão do político do Partido Comunista, sob acusação de corrupção e abuso de poder. Essa experiência foi destacada pelo Brookings Institute como um dos motivos para apontar Sun como uma liderança a ser observada na China.

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