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Parlamento italiano aprova plano de ajuste de Mario Monti

Por Da Redação 22 dez 2011, 13h08

Roma, 22 dez (EFE).- O Parlamento da Itália aprovou nesta quinta-feira de modo definitivo o plano de ajuste de mais de 30 bilhões de euros do primeiro-ministro, Mario Monti.

Esta é a primeira reforma de grande impacto promovida pelo governo tecnocrata italiano desde que chegou ao poder, em novembro. Por 257 votos a favor e 41 contra, o Senado ratificou o texto por meio de uma questão de confiança apresentada pelo Executivo para acelerar o trâmite do plano, que já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados na última sexta-feira.

Como ocorreu na câmara baixa, tanto o partido Liga Norte (LN), aliado do governo anterior, de Silvio Berlusconi, como a Itália dos Valores (IDV) votaram contra o plano de ajuste, mas desta vez foram acompanhadas pelos grupos minoritários Südtiroler Volkspartei e Union Valdotaine.

O porta-voz do IDV no Senado, Felice Belisario, disse que o plano de austeridade de Monti, que sofreu substanciais mudanças em sua passagem pelas comissões da câmara baixa e foi redigido pelo Executivo em 17 dias, é ‘desequilibrado e depressivo’ em termos econômicos.

‘Queremos que os sacrifícios sejam verdadeiros para todos. Espero que o comportamento do governo nos permita melhorar as medidas e talvez, por que não, também votá-las, mas com a consciência de que pensam no bem de todos’, declarou Belisario.

Por sua vez, o porta-voz da LN, Federico Bricolo, reprovou a maioria dos senadores por ter ficado indignada com seus furiosos protestos no plenário. Segundo ele, os parlamentares não podem esquecer que a Casa representa o povo, e há ‘milhares de pessoas que não estão de acordo com este plano de ajuste e pedem que suas vozes sejam ouvidas’.

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Mais uma vez, tanto o partido conservador de Berlusconi, o Povo da Liberdade (PDL), como o Partido Democrata (PD), de centro-esquerda, e o chamado ‘Terceiro Polo’, de centro-direita, deram seu apoio ao Executivo ‘por responsabilidade’, embora tenham insistido que havia coisas que poderiam ter sido melhoradas neste plano de ajuste.

Durante um pronunciamento no plenário do Senado antes da votação do texto, Monti afirmou que, com a aprovação deste plano de ajuste, a Itália poderá enfrentar a ‘gravíssima’ crise econômica e financeira vivida pela Europa ‘com a cabeça erguida’.

‘Pedimos com o plano de ajuste sacrifícios significativos, mas inferiores aos que deveríamos adotar se a emergência continuasse’, disse Monti, que convidou aos italianos a adquirir títulos de dívida pública para aliviar a pressão sobre eles nos mercados.

O primeiro-ministro assegurou que não existe crescimento econômico sem disciplina financeira, e afirmou que o aumento dos impostos que seu plano de austeridade prevê é ‘infelizmente necessário’.

O plano de ajuste inclui medidas de poupança e arrecadatórias, entre as quais se destacam o aumento da idade de aposentadoria (para 62 e 66 anos em 2012 para mulheres e homens, respectivamente), assim como a reintrodução do imposto de bens imóveis sobre a primeira residência e sua extensão à segunda e terceira, e o aumento do IVA, a partir de setembro, de 21 para 23%.

O texto congela, além disso, as aposentadorias a partir dos 1,4 mil euros mensais e instaura uma taxa de 0,4% para os capitais evadidos que foram regularizados durante o mandato de Berlusconi graças a uma anistia fiscal, que em 2012 e 2013 aumentará até 1% e 1,35%, respectivamente.

Nas próximas semanas, o governo italiano pretende abordar a anunciada reforma laboral, mantendo o diálogo com os agentes sociais, e depois ‘se aprofundará nos temas de gasto público, começando pela administração estatal’, explicou hoje o próprio Monti. EFE

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