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Parlamento espanhol rejeita novo mandato de Pedro Sánchez

Sem acordo entre partidos da esquerda, Espanha está em impasse para formação de coalizão desde abril

O líder socialista Pedro Sánchez não conseguiu obter nesta terça-feira, 23, em primeira votação, o apoio do Parlamento para exercer um novo mandato como primeiro-ministro da Espanha.

O chefe do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) obteve 124 votos a favor, frente a 170 negativos e 52 abstenções.

O político agora deve buscar o apoio da esquerda radical do Podemos (UP), com quem ele trava difíceis negociações para formar uma coalizão, antes de quinta-feira, 25, quando será realizada nova votação.

A deliberação de hoje requeria a maioria absoluta da Câmara (176 deputados), mas na quinta Sánchez precisaria apenas da maioria simples, que seria possível com o apoio do UP e de outros abstencionistas.

Em caso de fracasso na quinta, Sánchez terá dois meses para tentar novamente. Se o impasse persistir, novas eleições legislativas, a quarta em quatro anos, terão de ser realizadas em 10 de novembro.

Se houver acordo, a Espanha terá seu primeiro governo de coalizão à esquerda desde 1936, quando eclodiu a guerra civil.

Sánchez chegou ao poder em junho de 2018, com apoio dos partidos separatistas, após Mariano Rajoy (PP) ter sido destituído por causa de um escândalo de corrupção.

Em fevereiro deste ano, o socialista convocou novas eleições, porque o Congresso rejeitou a sua proposta para o orçamento de 2019. Sánchez saiu vitorioso novamente, mas não conseguiu a maioria parlamentar e agora depende de uma coalizão para consolidar seu segundo mandato.

A votação

Nesta terça, o premiê só conseguiu somar aos 123 deputados eleitos do PSOE o apoio do único legislador de um pequeno partido regionalista da região da Cantábria, no norte da Espanha.

Por outro lado, os votos negativos virem do bloco de direita (Partido Popular, Ciudadanos e Vox) assim como dos partidos independentistas catalães ERC e JxCat e de outras legendas menores do setor conservador.

Entre os abstencionistas ficaram, além da UP, outros partidos nacionalistas, como o Partido Nacionalista Basco.

Os analistas consideram que a decisão do Podemos de não votar contra Sánchez e abster-se representa um gesto positivo para a continuação das negociações para uma coalizão.

Na segunda-feira 22, as divergências entre as duas legendas ficaram claras com o duro confronto entre Sánchez e o líder do UP, Pablo Iglesias, no Parlamento.

Iglesias exigia que as pastas de Finanças, Trabalho, Igualdade, Habitação, Transição Ecológica e Ciência fossem comandadas por políticos do seu partido. O PSOE, em resposta, ofereceu ao partido o cargo de vice-primeiro-ministro para a área social, que seria entregue à vice-presidente e porta-voz do Podemos no Congresso, Irene Montero, mulher de Iglesias.

“Não estamos dispostos a estar num governo como mera decoração”, disse Iglesias aos parlamentares em um discurso inflamado.

Nesta terça, a vice-presidente do governo interino, Carmen Calvo, confirmou a oferta do PSOE sobre a vice-presidência.

Além disso, os socialistas convocaram para amanhã uma reunião da sua Executiva, na qual previsivelmente será discutido o andamento das negociações para referendar um hipotético acordo.

Os socialistas manterão até o “último minuto” as negociações, segundo destacou Calvo antes da votação em entrevista à imprensa.

(Com EFE e AFP)