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Parlamento britânico rejeita de novo acordo de Theresa May para o Brexit

Líder trabalhista pede convocação de eleições gerais; primeira-ministra diz que, sem plano, colocará em votação a postergação da saída do Reino Unido da UE

A nova versão do acordo de retirada do Reino Unido da União Europeia foi rejeitada pelo Parlamento Britânico nesta terça-feira, 12, por 391 votos contra 242, segundo o jornal The Guardian. Diante deste segundo fracasso da primeira-ministra, Theresa May, o legislativo discutirá a criação de um plano para a hipótese de o Brexit ser iniciado, em 29 de março, sem um acordo com os europeus. Essa hipótese é  considerada por analistas como perigosa e nociva para a economia britânica.

Quase sem voz, May afirmou que, se os parlamentares aprovarem a saída do Reino Unido sem acordo, esta se tornará a política de seu governo. Mas, se não construírem um plano para enfrentar essa situação, ela prometeu colocar em votação na quinta-feira, 14, postergação da data de início do Brexit.

A primeira-ministra advertiu que o adiamento do início do Brexit não resolve os problemas para o governo. A União Europeia exigirá clareza sobre a intenção do Reino Unido de realmente apartar-se do bloco e sobre a possibilidade de um segundo referendo sobre o Brexit. Segundo o Guardian, o Parlamento teve de fazer escolhas.

O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, defendeu a convocação de eleições gerais, em claro desafio ao gabinete de May. Também pediu que o Parlamento se mantenha unido na construção de uma proposta de Brexit sem acordo que possa ser negociada. Corbyn passou a defender, desde fevereiro, a realização de um novo referendo sobre o Brexit. No primeiro, de 2016, 52% dos eleitores britânicos votaram pela saída.

Antes da votação, May apelara aos parlamentares que votassem a favor da nova versão do acordo, que fechara na noite de segunda-feira com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. O texto trouxe mudanças na questão polêmica questão da fronteira entre a Irlanda do Norte, britânica, e a República da Irlanda

A nova redação previa que, até 2020, ambos os lados negociariam a alternativa ao retorno de uma fronteira dura, o chamado “backstop”. Até lá, as regras atualmente vigentes de mercado comum continuariam a prevalecer na relação entre as Irlandas. O texto, entretanto, não sensibilizou a maioria no Parlamento.

O gabinete de May corre contra o relógio para impedir a saída desorganizada do Reino Unido do bloco europeu. Restam apenas 17 dias para o Brexit ser implementado. Isso significa o fim do livre comércio entre Londres e os países da União Europeia, sua retirada da união aduaneira europeia e a saída de centenas de acordos que deverão afetar diretamente a população de lado a lado, o comércio, os investimentos, as transações financeiras, o livre trânsito de pessoas e outras áreas.