Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Parentes preparam festas em homenagem aos mineiros

Famílias colocaram sofá e TV na rua para assistir resgate

“Não se sabe se eles terão algum dano físico ou psicológico. É como nascer de novo, só que já adulto”

Bandeiras do Chile no telhado e cartazes com mensagens de força evidenciam a expectativa da família de Carlos Bugeño com o seu resgate. Na calçada, sentados em um sofá de dois lugares com estampa vermelha, familiares do mineiro acompanhavam por uma televisão de LCD apoiada em uma mesa, o resgate dos 33 mineiros. Outros cinco parentes do operário jogavam bola na rua, mas não deixavam de gritar o tradicional ‘chi chi chi, le le le…’ cada vez que alguém saía da cápsula e aguardavam ansiosamente a volta de Bugeño, que está fora de casa há 70 dias.

A ideia de colocar a televisão na rua foi do primo Esteban Alfaro. “Assim, acompanhamos todos juntos”, explicou. Rodolfo Alfaro, tio de Bugeño, assistia a tudo com a mão no queixo, olhando de lado, com jeito desconfiado.”Até o momento, a situação é tensa. Só vou respirar com tranqüilidade quando o vir fora da mina, em segurança, e pessoalmente”. Alfaro ainda não pôde se acalmar porque não abraçou o sobrinho, levado para o hospital de Copiapó tão logo saiu da cápsula. Mas uma grande festa no sábado acabará com os dias de angústia.

A família de Pedro Cortez também prepara uma festa. A rua Coronel del Inca, onde ambos os mineiros moram, está enfeitada com sacos plásticos pendurados em barbantes como se fossem bandeirinhas. Quem colocou foi Gloria Tapia, vizinha dos dois há mais de dez anos. Foi dela também a ideia de pintar a casa de Cortez “para que ele se sinta amado, acolhido, e não tenha mais esse portão feio, acabado, cor de madeira”, brincou.

Depois da euforia, a realidade – Cortez, que já havia perdido um dedo da mão esquerda na mesma mina San José, em março deste ano, receberá um pedido para que não volte jamais a trabalhar como mineiro. Quem o fará é Verônica Albornoz, sua vizinha há 23 anos. Ela comprou as 33 garrafas de champagne que serão estouradas na festa.

Verônica tem apenas uma preocupação. “Estamos todos comemorando, é algo indescritível, mas não sei o que vai ser deles quando voltarem”, disse. “Não se sabe se eles terão algum dano físico ou psicológico. É como nascer de novo, só que já adulto. É muito difícil.”