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Para soldados, militar libertado pelo Talibã é traidor e não um herói

Colegas de pelotão de Bowe Bergdahl, que passou quase cinco anos como refém no Afeganistão, afirmam que ele desertou

Por Da Redação 2 jun 2014, 09h38

(Atualizado às 21h49)

Soldados americanos que serviram junto com Bowe Bergdahl, que ficou quase cinco anos refém dos Talibãs, afirmam que ele é desertor e não deve ser tratado como herói – reporta a rede CNN. “Eu já estava chateado antes e estou mais ainda com tudo que está acontecendo”, disse o ex-sargento Matt Vierkant, membro do pelotão de Bergdahl. “Ele desertou de uma guerra e seus colegas americanos perderam a vida procurando por ele”, afirmou Vierkant, garantindo que outros militares e veteranos também consideram Bergdahl um desertor. “Não entendo como trocam prisioneiros por alguém que desertou”, disse o militar, citando a negociação com o Talibã que resultou na soltura Bergdahl em troca de cinco terroristas que estavam presos em Guantánamo.

Para o ex-sargento, o “ato egoísta” de Bergdahl acabou custando a vida de “homens melhores do que ele”. Vierkant disse ainda que Bergdahl precisa enfrentar um julgamento militar por deserção. Neste domingo, o secretário de Defesa, Chuck Hagel, foi questionado se Bergdahl havia deixado seu posto sem permissão e se ele seria punido. Hagel não respondeu diretamente. “Nossa primeira prioridade é garantir o seu bem-estar e sua saúde e fazer com que ele se reúna com sua família”, disse Hagel. “Outras circunstâncias que podem se desenvolver e outras perguntas serão tratados mais tarde”, completou.

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Um alto funcionário do Ministério da Defesa, falando em condição de anonimato, disse à CNN que Bergdahl provavelmente não vai enfrentar qualquer punição. “Cinco anos é suficiente”, completou. O regulamento do Exército americano prevê punições no caso de ausência não autorizada e deserção. A segunda opção, que inclui punições mais graves, descreve situações em que um soldado deixa seu posto sem a intenção de retornar ou para escapar de uma missão importante.

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Bergdahl havia desaparecido em 30 de junho de 2009, cinco meses depois de ter sido enviado ao Afeganistão. Desde então, apareceram diferentes versões sobre sua captura. Em um vídeo divulgado poucas semanas após o seu desaparecimento, o próprio Bergdahl afirmou que foi levado pelos terroristas durante uma patrulha. Membros de Talibã, por sua vez, afirmaram que o sargento foi capturado quando estava bêbado, do lado de fora de uma base. Já para seus colegas de uniforme, Bergdahl abandonou seu posto de vigia, largou suas armas e deixou a base a pé.

Em 2012,a revista Rolling Stone divulgou uma série de e-mails escritos pelo próprio Bergdahl pouco antes do seu sumiço onde ele manifesta uma crescente desilusão com a as Forças Armadas americanas e a sua missão no Afeganistão. Um de seus colegas de pelotão também afirmou à revista que Bergdahl afirmou pouco antes de chegar ao Afeganistão que se o período no país fosse ruim, ele “simplesmente iria embora até as montanhas do Paquistão”.

“Ele abandonou seu posto. Ninguém sabe se ele desertou, virou um traidor ou foi sequestrado. O que sabemos é isso: ele estava lá para nos proteger. Em vez disso, ele decidiu desertar. Eu não sei quando ele decidiu fazer isso. Nós gastamos muitos recursos, e vários desses recursos eram vidas de soldados”, disse à CNN o soldado Jose Baggett, um membro da mesma companhia de Bergdahl.

Em um artigo no site Daily Beast, Nathan Bradley Bethea, outro militar que serviu com Bergdahl, também confirmou a versão da deserção e criticou a celebração pela libertação do sargento.

“Todos os membros da minha brigada de combate receberam a ordem de não comentar o que havia acontecido com Bergdahl por medo de colocá-lo em risco. Agora ele está salvo e é hora de falar a verdade”, disse. “E a verdade é: ele é um desertor, e soldados da sua unidade morreram tentando encontrá-lo.”

Nas semanas seguintes ao desaparecimento, centenas de soldados americanos e afegãos foram deslocados para procurar pelo sargento. Segundo a CNN, pelo menos seis militares morreram nessas operações. Um soldado afirmou à CNN que outros militares morreram em outros setores quando recursos como drones foram deslocados para procurar pelo sargento, deixando áreas desprotegidas e livres para o Talibã. “Foi inacreditável. Tudo isso por causa do ato egoísta de um pessoa. O nível de animosidade contra ele é uma coisa imaginável”, disse.

Depois de sua libertação, no sábado, após passar quase cinco anos em cativeiros no Afeganistão e Paquistão, Bergdahl foi transferido para um hospital militar na Alemanha. Greg Leatherman, ex-líder do pelotão de Bergdahl, disse que tem prazer em vê-lo retornar com segurança, mas espera que ele seja punido.

“Por experiência própria, eu espero que ele receba aconselhamento e uma reintegração adequada. Acredito que uma investigação deva ocorrer assim que os profissionais de saúde considerarem ele apto para suportar um processo”, disse.

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