Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Para porta-voz palestino, resolução da ONU é insuficiente

O porta-voz do primeiro-ministro palestino Salam Fayad, Ghasan Khatib, criticou nesta terça-feira a resolução do Conselho de Segurança contra o ataque israelense. Para ele, o texto é “insuficiente”, porque não inclui os “elementos preventivos” necessários para o futuro, conforme declarou à agência de notícias Efe.

“Qualquer resolução que atribua responsabilidade a Israel pela violação do direito internacional e dos direitos humanos dos palestinos não pode ser suficientemente boa para evitar que se repitam esses fatos”, completou Khatib, que já foi ministro em vários governos de Yasser Arafat.

O governo palestino ainda não se pronunciou sobre o assunto. Segundo Khatib, o Executivo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) estuda a condenação emitida pela ONU em relação ao ataque israelense à “Frota da Liberdade”. Nas próximas horas deve-se conhecer sua postura oficial.

Resolução – O Conselho de Segurança se reuniu nesta terça-feira por quase treze horas para chegar à resolução de que será realizada uma investigação “imparcial” e “crível” dos fatos acerca do incidente. Apesar de condenar os “atos de força” que provocaram mortes, o Conselho evitou citar explicitamente Israel.

Para Khatib, “a falta de uma posição forte contra a violação dos direitos palestinos é o que alimenta Israel a seguir em violando-os, não apenas dentro da Cisjordânia e Gaza, mas também em outros cenários como nas águas internacionais”. Ele ainda enfatizou: “Creio que chegou o momento de passar das condenações verbais às resoluções que contenham medidas práticas contra Israel para impedir a repetição de acontecimentos como os de ontem”.

Detenção – Israel deteve nesta terça-feira centenas de ativistas que estavam a bordo da frota de navios que pretendia entregar ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Foi também o caso da brasileira Iara Lee, presente na embarcação que foi atacada.

De acordo com secretário Gustavo de Sá Duarte Barboza, representante da Embaixada do Brasil em Israel, ela divide uma cela com outra pessoa em uma cadeia da cidade de Beershevaem, no sul do país. Iara passa bem, mas permanece incomunicável enquanto aguarda os procedimentos burocráticos para ser deportada. Por enquanto, não há previsão para quando a deportação irá ocorrer.

Novos ataques – Enquanto diplomatas de Israel trabalham para conter os danos, a Marinha do país informou estar pronta para interceptar outro navio que estaria tentando se aproximar na terça ou na quarta-feira do litoral da Faixa de Gaza.

Alguns ativistas que já foram deportados, começam a espalhar seus relatos:

“Não colocamos qualquer resistência, nem se quiséssemos poderíamos. O que poderíamos ter feito contra os comandos que escalaram o convés?,” disse Mihalis Grigoropoulos, que estava a bordo do navio Mavi Marmara, onde a maior parte da violência aconteceu.

“A única coisa que algumas pessoas tentaram fazer foi adiar o acesso deles à ponte, formando um escudo humano. Eles dispararam balas de plástico e ficamos desorientados por causa de dispositivos elétricos,” disse o ativista à NET TV no aeroporto de Atenas.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, voltando do Canadá depois de cancelar uma reunião na terça-feira na Casa Branca com o presidente dos EUA, Barack Obama, pretende reunir seu gabinete assim que chegar a Jerusalém, segundo funcionários que o acompanham.

(Com agência Reuters)