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Para os EUA, o Brasil é peça central do tráfico de drogas

Documentos secretos revelam dados sobre o volume do negócio com a Bolívia

Por Da Redação 29 dez 2010, 10h26

Uma série de telegramas enviados de diversas embaixadas dos Estados Unidos e vazados pelo site WikiLeaks revelou que, para a diplomacia americana, o Brasil é peça central na rota do tráfico de drogas no mundo. Os documentos indicam dados alarmantes sobre o volume do tráfico entre Bolívia e Brasil e mostram a preocupação do Itamaraty com a “conexão entre o governo boliviano e os produtores de coca”.

Os telegramas sugerem que o Brasil, para muitos traficantes, se tornou o caminho mais fácil para permitir que a droga chegue à Europa, aos EUA e à Ásia. Um debate sobre o assunto chegou a contaminar a eleição presidencial brasileira: o suposto envolvimento de autoridades com o tráfico. Para os americanos, uma das preocupações centrais seriam referentes ao governo do boliviano Evo Morales.

Em um documento de 19 de fevereiro, que descreve uma reunião entre o embaixador americano no país, Thomas Shannon, e a subsecretária de política da chancelaria brasileira, Vera Machado, o temor se comprova. “(Vera) Machado acredita que a situação na Bolívia se estabilizou, mas se mantém preocupada sobre as conexões entre o governo e os produtores de coca”, registra Shannon. “Ela (Vera) admitiu a ameaça para a região do tráfico de drogas, mas identificou como principal fonte o problema do consumo nos países ricos”, disse.

Telegramas da Embaixada dos EUA em La Paz comprovam que o Brasil, de fato, tem motivos para estar preocupado. Em 17 de dezembro de 2009, um documento estima em 175 o número de aviões suspeitos de carregar cocaína que cruzaram a fronteira entre Bolívia e Brasil em apenas dois meses.

Autoridades americanas teriam traçado um cenário sombrio a diplomatas americanos: “A falta de controle sobre seu espaço aéreo resulta em praticamente uma liberdade total para o narcotráfico.” Já em outro telegrama, de julho de 2010, o presidente do Senado boliviano, Oscar Ortíz, prefere colocar a culpa no Brasil. Em conversa com o embaixador Shannon, Ortíz “lamentou o aumento do tráfico de drogas e o fato de brasileiros e a União Europeia tolerarem isso”.

(Com Agência Estado)

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