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Para observadores dos EUA, eleições no Haiti foram ‘farsa’

Já as autoridades haitianas afirmaram que a disputa presidencial foi válida

Por Da Redação 29 nov 2010, 16h33

Observadores americanos afirmaram, nesta segunda-feira, que as eleições presidenciais e legislativas realizadas no último domingo no Haiti estavam repletas de irregularidades e convocaram a comunidade internacional a rejeitar essa “farsa óbvia”. Apesar das numerosas denúncias de fraude por parte de vários candidatos e dos pedidos de anulação do pleito, o Conselho Eleitoral do Haiti validou as eleições, cujos resultados serão conhecidos a partir de 5 de dezembro.

“Desde a proibição do partido mais popular de participar da eleição, até irregularidades no dia do pleito, incluindo relatos de fraudes nas urnas, assim como o impedimento de muitos eleitores de votar, essas eleições foram uma farsa óbvia do início ao fim”, disse Mark Weisbrot, co-diretor do Centro de Pesquisa Política e Econômica dos EUA, em um comunicado. O texto acrescenta que Alex Main, analista do centro de estudos – que se encontrava no Haiti para observar a as eleições – foi testemunha destas irregularidades.

A missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil, já havia divulgado um comunicado no fim do domingo, demonstrando a preocupação da missão e da comunidade internacional diante de “numerosos incidentes que mancharam as eleições”. No comunicado, a Minustah pediu que a população e os candidatos “permanecessem calmos”, alertando para a possibilidade de “consequências dramáticas”, caso ocorra uma piora na situação de segurança.

Milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra as supostas fraudes. “Você não pode roubar o voto popular”, disse o músico haitiano Wyclef Jean, que vive nos EUA desde os nove anos e não teve sua permissão para concorrer na disputa.

Eleições – Contudo, as autoridades eleitorais do Haiti afirmaram na noite de domingo que a disputa presidencial foi válida – mesmo com registro de duas mortes, as reclamações de fraudes, protestos e pedidos de cancelamento do pleito. Segundo o Conselho Eleitoral Provisório (CEP), houve problemas em apenas 56 das 1.500 seções eleitorais. O presidente do CEP, Gaillot Dorsainvil, disse até que a disputa foi um “sucesso”.

Doze dos 18 candidatos afirmaram, porém, que as afirmações fazem parte de uma “conspiração” do atual governo e da comissão eleitoral. O grupo disse que os conspiradores tentam “beneficiar o candidato apoiado pelo atual presidente René Préval”. Entre os que condenaram o pleito está a favorita, a ex-primeira-dama Mirlande Manigat.

Pesquisas de opinião apontavam que Mirlande, de 70 anos, tinha uma vantagem clara sobre o segundo colocado, Jude Célestin, do partido governista. A tendência, segundo os levantamentos, é que esses candidatos sigam para o segundo turno, no dia 16 de janeiro.

Os haitianos foram às urnas escolher o presidente, 11 senadores e 99 deputados em meio a uma epidemia de cólera, que já matou 1.650 pessoas, menos de um ano após um violento terremoto deixar cerca de 250.000 mortos no país.

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