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Para o povo de Treimsa, massacre tinha objetivo de provocar guerra sectária

Por Da Redação - 17 jul 2012, 10h56

A população sunita de Treimsa garante que o massacre ocorrido no dia 12 de julho foi praticado pelo Exército sírio, apoiado pelos shabiha, os milicianos do regime alauíta de Bashar al-Assad, com o objetivo de provocar uma guerra sectária no país.

Na segunda-feira, o ódio podia ser sentido neste povoado de cerca de 10 mil habitantes do centro da Síria, e parece pouco provável que seus moradores cheguem algum dia a perdoar as agressões que sofreram.

“Nunca”, dizem os habitantes sem vacilar a quem os pergunta.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), uma ONG com sede na Grã-Bretanha, os bombardeios e os combates deixaram desde quinta-feira mais de 150 mortos em Treimsa, entre eles dezenas de rebeldes.

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Alguns foram “executados de maneira sumária” ou morreram quando tentavam fugir. Cerca de trinta cadáveres foram queimados.

A comunidade internacional condenou o massacre, mas o regime negou que tenha ocorrido, afirmando ter combatido terroristas, termo que utiliza desde o início da onda de contestação, há 16 meses.

Os observadores da ONU no local, que consideraram em várias ocasiões que o ataque “parecia estar dirigido contra grupos e casas específicas, em sua maioria de desertores e militantes”, indicaram que o registro “continua sendo impreciso”.

Também destacaram que “muitos tipos de armas” foram utilizadas, entre elas armas pesadas, algo que o regime desmentiu novamente, mas que corresponde ao que a AFP constatou no local.

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Para um médico de Treimsa, que pediu para não ser identificado, este massacre é explicado “sem dúvida porque a cidade está no limite de uma zona alauíta”.

Abu Amar, comandante local que reivindica ter 1.200 rebeldes sob suas ordens, explicou que “o exército de Assad bombardeia há 15 dias todas as aldeias e povoados (sunitas) que estão no limite da região alauíta” situada entre as províncias de Hama e Lakatia (centro e oeste).

“Khan Cheikhoun, Kafar Zeita, Latamné, Al-Laqbé, Treimsa, Amurién… os bombardeios não param contra 33 povoados e cidades sunitas”, explicou Abu Amar.

Bashar al-Assad e os principais pilares do regime são alauítas – um braço do xiismo que representa 10% da população – enquanto a maioria dos opositores é sunita (80%).

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Os 10% restantes são xiitas, drusos, ismaelitas ou cristãos.

Em Yebel Shahchabou, as pequenas montanhas que dominam a planície agrícola onde Treimsa está localizada, um grupo de revolucionários conversa em torno de um tradicional chá fervente e açucarado.

O ambiente resume a opinião dos sunitas da região: “Treimsa está cercada de alauítas, esta é a razão (do massacre)!”, exclama um deles. “Todos os alauítas são shabihas!”, denuncia outro. “Assad quer eliminar todos os sunitas”, acrescenta um terceiro. “Quer provocar uma guerra sectária”, conclui um quarto.

Na cidade sunita de Kornaz (22 mil habitantes), muito próxima de Treimsa, o chefe político da revolução, Abderrazak Al-Hamdu, tenta acalmar a situação: “O regime quer transformar a revolução em guerra civil. Mas nós o rejeitamos. Há décadas, tivemos relações amistosas com os alauítas, inclusive agora (…) Podemos perdoar os alauítas que não estão envolvidos no massacre”.

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Mas Taysir Chabane, o chefe militar da localidade, é muito mais categórico: “Os aldeões alauítas daqui são todos shabihas”.

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