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Para Breivik, miscigenação é a causa dos problemas sociais do Brasil

Assassino de Oslo cita país doze vezes em manifesto publicado na internet

Em seu manifesto de 1500 páginas, o autor do duplo atentado em Oslo que matou 76 pessoas, Anders Behring Breivik, citou o Brasil como exemplo do efeito negativo da mistura de raças. Segundo ele, a miscigenação da população brasileira é a causa da desigualdade social, da corrupção e do que chamou de falta de produtividade.

“Os resultados são evidentes e se manifestam num alto nível de corrupção, falta de produtividade e um eterno conflito entre várias ‘culturas’ competindo, enquanto as ‘sub-tribos’ criadas (preto, mulato, mestiço, branco) paralisam qualquer esperança de sequer alcançar o mesmo nível de produtividade e igualdade de, por exemplo, Escandinávia, Alemanha, Coreia do Sul e Japão”, escreveu o atirador.

Para Breivik, se na Europa ocorresse uma mistura de raças semelhante ao caso brasileiro, o resultado seria devastador e um grande atraso. “Além disso, seria um crime grave contribuir de alguma forma para a aniquilação, desconstrução e genocídio dos povos nórdicos por definição.”

“Um país com culturas que competem entre si se destruirá internamente a longo prazo ou terminará como um país permanentemente disfuncional como o Brasil”, acrescenta.

O atirador citou o Brasil doze vezes no documento. Além das críticas à sociedade brasileira, Breivik mencionou o acidente com césio 137 em Goiânia, em 1987, como exemplo de contaminação de radioatividade. Ele buscou advertir os seus possíveis seguidores sobre o perigo de transportar bombas: “Seja extremamente cuidadoso quando lidar com material radiológico”.

Documento – O manifesto, intitulado A European Delaration of Independence – 2083 (Uma declaração de Independência Europeia – 2083) foi distribuído aos amigos de Breivik no Facebook (cerca de 7 000 pessoas) horas antes do massacre. Trata-se de um compêndio caudaloso de reflexões políticas, filosóficas, religiosas e sociológicas, um diário do período em que os atentados foram planejados e ainda uma fonte de informações sobre a vida privada do assassino, que emerge das páginas como um jovem perturbado e tomado por delírios de grandeza.