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Paquistão ameaça responder a ataques indianos após atentado na Caxemira

Índia afirma ter eliminado líderes regionais do grupo terrorista que matou 42 pessoas na semana passada

O Paquistão ameaçou responder a qualquer ataque de retaliação da Índia, após um atentado que deixou 42 mortos na Caxemira indiana na semana passada.

“O Paquistão responderá”, afirmou nesta terça-feira, 19, o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, em um discurso exibido pela televisão. O premiê afirmou, contudo, que seu governo está aberto a cooperar nas investigações sobre o ataque.

O atentado, o mais violento desde o início da rebelião separatista em 1989, foi reivindicado pelo grupo Jaesh-e-Mohamed (JeM). A Índia acusa o Paquistão de apoiar os terroristas, o que eles negam.

Khan também pediu ao governo da Índia em seu discurso que apresente as provas do envolvimento paquistanês no ataque.

O primeiro-ministro disse ainda que optou por não responder às acusações indianas antes para não afetar a visita ao Paquistão do príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman.

Nosso país “segue para a estabilidade após 15 anos de guerra contra o terrorismo, na qual perdemos 70.000 vidas”, afirmou. “Proponho ao governo indiano realizar a investigação que deseja sobre este problema para estabelecer se o Paquistão está envolvido”, disse Khan.

“Se tiverem provas sobre o envolvimento do Paquistão, apresentem e garanto que vamos adotar medidas”, completou.

Operação

O Exército da Índia anunciou nesta terça ter eliminado três comandantes do grupo JeM, responsáveis pelo ataque de 14 de fevereiro.

“Em menos de cem horas, eliminamos a direção do JeM no Vale (de Caxemira), que estava sendo manuseada pelo JeM desde o Paquistão”, afirmou em entrevista coletiva o tenente-general Kanwal Jeet Singh Dhillon.

A morte dos três insurgentes aconteceu ontem em Pulwama, o mesmo distrito que foi alvo do ataque na semana passada. Os terroristas foram identificados pela polícia como dois paquistaneses e um caxemiriano.

Durante a operação que eliminou os criminosos, quatro soldados, um policial e um civil também morreram.

Dhillon afirmou que os autores do ataque de quinta-feira atuaram com “apoio ativo” da agência de inteligência (ISI) do Paquistão e o Exército do país. “Qualquer um que pegue em armas será eliminado”, concluiu o tenente-general.

Tensão regional

A Caxemira é reivindicada por Índia e Paquistão desde o fim da colonização britânica em 1947 e está dividida entre os dois países.

Em 1949, tentando resolver o impasse, a Organização das Nações Unidas (ONU) cedeu um terço da Caxemira aos paquistaneses e dois terços aos indianos. Desde então, a Índia enfrenta os desafios de tutelar uma região de maioria muçulmana, culturalmente isolada no país, o que criou movimentos separatistas já no fim dos anos 1980.

De acordo com analistas, a Índia mantém 500.000 soldados mobilizados em sua região, o que faz desta uma das zonas mais militarizadas do mundo.

O atentado da semana passada aconteceu em um momento delicado para o governo do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, com o país a ponto de organizar eleições legislativas entre abril e maio.

Grupo que assumiu a ação, o Jaesh-e-Mohammad foi fundado pelo religioso radicalizado Masood Azhar em 2000 e realiza ataques em território indiano desde então, incluindo o atentado de 2001 contra o Parlamento de Nova Délhi.

Eles foram considerados uma organização terrorista pela Índia, Reino Unido, Estados Unidos e Nações Unidas e foram oficialmente banidos do Paquistão em 2002. Apesar disso, Azhar continua livre e o Paquistão nega os pedidos de extradição feitos pela Índia contra ele, alegando falta de provas.

(Com AFP e EFE)