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Paquistão ameaça responder a ataques indianos após atentado na Caxemira

Índia afirma ter eliminado líderes regionais do grupo terrorista que matou 42 pessoas na semana passada

Por Da redação Atualizado em 19 fev 2019, 10h53 - Publicado em 19 fev 2019, 10h07

O Paquistão ameaçou responder a qualquer ataque de retaliação da Índia, após um atentado que deixou 42 mortos na Caxemira indiana na semana passada.

“O Paquistão responderá”, afirmou nesta terça-feira, 19, o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, em um discurso exibido pela televisão. O premiê afirmou, contudo, que seu governo está aberto a cooperar nas investigações sobre o ataque.

O atentado, o mais violento desde o início da rebelião separatista em 1989, foi reivindicado pelo grupo Jaesh-e-Mohamed (JeM). A Índia acusa o Paquistão de apoiar os terroristas, o que eles negam.

Khan também pediu ao governo da Índia em seu discurso que apresente as provas do envolvimento paquistanês no ataque.

  • O primeiro-ministro disse ainda que optou por não responder às acusações indianas antes para não afetar a visita ao Paquistão do príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salman.

    Nosso país “segue para a estabilidade após 15 anos de guerra contra o terrorismo, na qual perdemos 70.000 vidas”, afirmou. “Proponho ao governo indiano realizar a investigação que deseja sobre este problema para estabelecer se o Paquistão está envolvido”, disse Khan.

    “Se tiverem provas sobre o envolvimento do Paquistão, apresentem e garanto que vamos adotar medidas”, completou.

    Operação

    O Exército da Índia anunciou nesta terça ter eliminado três comandantes do grupo JeM, responsáveis pelo ataque de 14 de fevereiro.

    “Em menos de cem horas, eliminamos a direção do JeM no Vale (de Caxemira), que estava sendo manuseada pelo JeM desde o Paquistão”, afirmou em entrevista coletiva o tenente-general Kanwal Jeet Singh Dhillon.

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    A morte dos três insurgentes aconteceu ontem em Pulwama, o mesmo distrito que foi alvo do ataque na semana passada. Os terroristas foram identificados pela polícia como dois paquistaneses e um caxemiriano.

    Durante a operação que eliminou os criminosos, quatro soldados, um policial e um civil também morreram.

    Dhillon afirmou que os autores do ataque de quinta-feira atuaram com “apoio ativo” da agência de inteligência (ISI) do Paquistão e o Exército do país. “Qualquer um que pegue em armas será eliminado”, concluiu o tenente-general.

    Tensão regional

    A Caxemira é reivindicada por Índia e Paquistão desde o fim da colonização britânica em 1947 e está dividida entre os dois países.

    Em 1949, tentando resolver o impasse, a Organização das Nações Unidas (ONU) cedeu um terço da Caxemira aos paquistaneses e dois terços aos indianos. Desde então, a Índia enfrenta os desafios de tutelar uma região de maioria muçulmana, culturalmente isolada no país, o que criou movimentos separatistas já no fim dos anos 1980.

    De acordo com analistas, a Índia mantém 500.000 soldados mobilizados em sua região, o que faz desta uma das zonas mais militarizadas do mundo.

    O atentado da semana passada aconteceu em um momento delicado para o governo do primeiro-ministro indiano Narendra Modi, com o país a ponto de organizar eleições legislativas entre abril e maio.

    Grupo que assumiu a ação, o Jaesh-e-Mohammad foi fundado pelo religioso radicalizado Masood Azhar em 2000 e realiza ataques em território indiano desde então, incluindo o atentado de 2001 contra o Parlamento de Nova Délhi.

    Eles foram considerados uma organização terrorista pela Índia, Reino Unido, Estados Unidos e Nações Unidas e foram oficialmente banidos do Paquistão em 2002. Apesar disso, Azhar continua livre e o Paquistão nega os pedidos de extradição feitos pela Índia contra ele, alegando falta de provas.

    (Com AFP e EFE)

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