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Papa reza missa em Havana e defende espaço maior para a Igreja, em Cuba

Por Por Jean-Louis De La Vaissiere
28 mar 2012, 15h20

O Papa Bento XVI celebrou nesta quarta-feira missa para milhares de pessoas na Praça da Revolução, em Havana, na qual pediu a Cuba que continue ampliando o espaço para a ação da Igreja Católica, horas antes do encontro previsto com o líder histórico Fidel Castro.

“Reconhecemos com alegria que, em Cuba, estão sendo dados passos para que a Igreja realize sua missão ineludível de expressar pública e abertamente sua fé”, afirmou o Papa na homilia ante 500.000 cubanos congregados na praça, que é local de grandes manifestações comunistas.

“Para poder exercer esta tarefa, a Igreja há de contar com a essencial liberdade religiosa”, enfatizou.

“É preciso seguir adiante, e desejo estimular as instâncias governamentais da nação a reforçar o já alcançado e a avançar por este caminho de genuíno serviço ao bem comum de toda a sociedade cubana”, acrescentou o Papa na segunda missa que celebra na ilha, na presença de Raúl Castro e do chanceler Bruno Rodríguez.

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O Papa disse que a Igreja busca dar seu testemunho não apenas nas catequeses, como também no âmbito escolar e universitário. As escolas católicas e todos os colégios particulares foram estatizados depois da chegada de Fidel Castro ao poder em 1959.

“Ela (a Igreja) busca transmitir este testemunho em sua pregação e ensino, tanto na catequese como nos âmbitos escolares e universitários. É de se esperar que logo chegue aqui também o momento em que a Igreja possa levar aos campos do saber os benefícios da missão que o Senhor encomendou e da qual nunca pode descuidar”, afirmou o Papa.

Além de agradecer a Deus, “que nos reúne nesta emblemática praça”, o pontífice disse que “a verdade é um anseio do ser humano, e buscá-la sempre supõe um exercício de autêntica liberdade”.

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No início da missa, o cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, fez um apelo à “paz e reconciliação” entre os cubanos. No ofício estavam presentes centenas de peregrinos cubanos procedentes de Miami, reduto do anticastrismo.

“Nosso povo implora a sua Santidade que inclua em sua oração esses dons do alto necessário para que reine entre todos os cubanos o amor e o perdão e se faça verdade a reconciliação e a paz”, afirmou Ortega, que promove o diálogo instalado em 2010 com o governo de Raúl Castro.

O Papa evocou na missa o exemplo do sacerdote e intelectual Félix Varela (1788-1853), “filho ilustre desta cidade de Havana, que passou para a história de Cuba como o primeiro a ensinar seu povo a pensar”.

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Os católicos cubanos esperam que Bento XVI declare Varela “venerável”, na primeira etapa para a canonização de um escravo que participou na luta contra a escravidão e o colonialismo espanhol.

Quanto ao tema dos presos políticos, muito sensível na ilha, o Vaticano não programou nenhuma declaração ou reunião com familiares, o que constituiu uma grande decepção para os círculos opositores.

Bento XVI chegou à praça no “papamóvel” branco, com as janelas abertas, cercado por vários agentes de segurança.

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Em 1998, nesse mesmo lugar, na presença de Fidel Castro, João Paulo II, o primeiro Papa a visitar a ilha, celebrou uma histórica missa em que pediu que “Cuba se abra para o mundo para que o mundo se abra para Cuba”.

O pontífice, de 84 anos, foi ouvido sob um sol radiante por meio milhão de fiéis, assim como ateus, comunistas e adeptos da santeria, rito afrocubano que mistura espiritualismo africano com o catolicismo.

Logo cedo, cubanos católicos partiram da Catedral de Havana em uma procissão com a imagem da Virgem da Caridade do Cobre até a Praça da Revolução. A imagem iluminada da Virgem, conhecida como “Mambisa”, foi saudada com aplausos pelas ruas de Havana.

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As procissões religiosas estavam proibidas em Cuba desde os anos 60 pelo então governo ateu de Fidel Castro até que foram restituídas pelo líder da Revolução durante a visita do Papa João Paulo II em 1998. O Estado cubano deixou o ateísmo em 1991 e passou a ser simplesmente laico.

Já a Anistia Internacional denunciou nesta quarta-feira um aumento da perseguição contra os ativistas pró-direitos humanos em Cuba para “silenciá-los” durante a visita de Bento XVI, e pediu ao Papa que condene a falta de liberdade na ilha.

A organização de defesa dos direitos humanos assinalou que as autoridades cubanas prenderam nos últimos dias dezenas de ativistas e críticos do governo ou cortaram suas linhas telefônicas, entre outras medidas para impedir que denunciem os abusos.

“O bloqueio das comunicações e a prisão de 150 opositores políticos é um exemplo a mais de como as autoridades cubanas ignoram completamente os direitos humanos”, afirmou Javier Zúñiga, conselheiro especial da Anistia em um comunicado.

“Ante esta situação, o Papa deve tomar uma posição e emprestar sua voz aos que ficaram sem ela devido à repressão em curso, e condenar a falta de liberdade em Cuba”, acrescentou.

A Anistia também pediu às autoridades da ilha que ponham fim aos abusos.

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