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Papa reclama de ‘compromissos frouxos’ contra aquecimento global

Francisco pede empenho das nações para cumprir os objetivos do Acordo de Paris e defender de 'nossa casa comum'

Em vídeo endereçado aos países participantes da Cúpula da Ação Climática, nesta segunda-feira, 23,  o papa Francisco queixou-se dos países por terem assumido compromissos “muitos frouxos” de contenção do aquecimento global e por estarem ainda muito distantes de atingir os objetivos do Acordo de Paris. O encontro se deu nas Nações Unidas, onde nesta terça-feira, 24, os chefes de governo de 196 países discursarão no plenário da Assembleia-Geral.

“Com o Acordo de Paris, a comunidade internacional tomou conhecimento da urgência e necessidade de dar uma resposta coletiva para colaborar na construção de nossa casa comum”, afirmou o pontífice. “No entanto, após quatro anos desse histórico acordo, podemos ver como os compromissos assumidos pelos Estados ainda são muito frouxos, e estão longe de alcançar os objetivos pretendidos”, alertou.

O papa orientou os líderes presentes a colocar “sua inteligência a serviço de outro modelo de progresso” baseado na “honestidade, responsabilidade e coragem”. Para o líder da Igreja Católica, a defesa da natureza e a batalha contra o aquecimento global são fundamentais. A ecologia e a defesa da “casa comum” é um dos princípios do  seu pontificado.

“Temos de colocar nossa inteligência a serviço de outro tipo de progresso mais saudável, mais humano, mais social, mais abrangente, capaz de colocar a economia a serviço da pessoa humana, construir a paz e proteger o meio ambiente”, disse o pontífice, ao citar sua encíclica Laudato si, de 2015, chamada de “encíclica verde”.

 

O papa crê que a situação atual está longe de ser ideal e que, embora o planeta esteja sofrendo, “a janela para uma oportunidade ainda está aberta: ainda temos chance. Não deixemos que se feche”, disse, sem mencionar quais seriam as alternativas.

Francisco também citou os bispos e cientistas de todo o mundo que se reunirão em outubro no Vaticano para discutir a Amazônia. O Sínodo da Amazônia é amplamente criticado pelo governo de Jair Bolsonaro, que o acusa de carregar um “viés político”. O Brasil terá a maior delegação, com 58 bispos.

A Cúpula da Ação Climática ocorre sem a participação brasileira. O governo Bolsonaro expressou falta de interesse em apresentar uma proposta para o encontro.

(Com AFP)