Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Papa ordena abertura de arquivos do Vaticano sobre ditadura argentina

A ação de Francisco poderá beneficiar milhares de famílias que ainda não sabem o paradeiro das pessoas que desapareceram durante o regime militar

Por Da Redação
29 abr 2015, 21h52

O papa Francisco ordenou nesta quarta-feira a abertura dos arquivos do Vaticano referentes ao período da ditadura militar da Argentina. A decisão já havia sido tomada após o pontífice ter se reunido, na última semana, com Lita Boitano, uma mulher de 83 anos que preside o grupo de direitos humanos Familiares e cujos dois filhos desapareceram durante o regime. “Esta é a vontade do papa para que algo seja feito, então ele pediu para o secretariado do Estado se encarregar disso. O trabalho já começou para que os arquivos do Vaticano ligados à ditadura argentina se tornem públicos”, declarou Guillermo Karcher, padre argentino que atua como um conselheiro próximo ao pontífice.

Leia também:

Presidente da Avós da Praça de Maio encontra neto após 36 anos

Historiadores afirmam que cerca de 20.000 pessoas desapareceram entre os anos de 1976 e 1983 por serem classificadas pela ditadura argentina como “subversivas”. O Vaticano, segundo o jornal britânico The Guardian, coletou um montante significativo de arquivos relacionados ao período, principalmente através do escritório do núncio papal que atuava em Buenos Aires. Francisco também organizou uma reunião entre Lita Boitano e um funcionário do secretariado de Estado, monsenhor Giuseppe Laterza. Eles discutiram a possibilidade de o Vaticano emitir um comunicado criticando a própria postura durante o regime militar da Argentina.

Continua após a publicidade

De acordo com o Guardian, os documentos mais importantes que podem ser revelados pela Igreja Católica dizem respeito ao papel exercido pelo então embaixador do Vaticano em Buenos Aires, monsenhor Pio Laghi, na ditadura argentina. Laghi se encontrava regularmente com os militares do país e chegou a disputar partidas de tênis com o então comandante em chefe da Marinha, almirante Emilio Massera, que, ao lado de Jorge Rafael Videla e Orlando Agosti, comandou a primeira junta ditatorial após o golpe de estado de 1976.

Leia mais:

Papa visitará Cuba em setembro, confirma Vaticano

Continua após a publicidade

Papa Francisco diz que cristãos não devem acumular riquezas

Também estão de posse do Vaticano informações de famílias das vítimas que procuraram Laghi em busca de ajuda. Ele guardou arquivos de milhares de pessoas desaparecidas e chegou a pedir clemência aos militares, atuando como um mediador em casos específicos. Acredita-se que o Vaticano levará cerca de um ano para tornar os documentos públicos.

(Da redação)

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.