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Papa Leão encerra visita à França com apelo à paz e ao fim de ‘mentiras’ no palco internacional

Primeira visita oficial de um pontífice ao país em quase vinte anos levou 1,3 milhão de fiéis às ruas

Por Sophia Paiva 28 set 2026, 17h39 | Atualizado em 29 set 2026, 11h25
Papa Leão encerra visita à França com apelo à paz e ao fim de ‘mentiras’ no palco internacional Priorize VEJA no Google

O papa Leão XIV fez um apelo pela paz na Europa e advertiu, nesta segunda-feira, 28, contra “a espiral de mentiras e engano” que ele diz ter tomado conta das relações internacionais, ao final de uma viagem de quatro dias à França, marcada pela presença de multidões.

Em seu discurso em Metz, no leste francês, Leão pediu “coragem na negociação e compromisso para pôr fim à guerra no continente”, em referência à guerra da Rússia com a Ucrânia. A escolha de Metz, que França e Alemanha disputaram do final do século XIX até meados do século XX, não foi um acaso: lá nasceu Robert Schuman (1886-1963), um dos chamados “pais fundadores” da União Europeia e que o Vaticano pretende beatificar.

O projeto para formar um bloco de aliados, que nasceu dos escombros de uma Europa devastada, perdeu força nos últimos anos em consequência da crise política aberta com a chegada de imigrantes, a saída do Reino Unido da União Europeia e as divergências sobre a atitude que deve ser adotada em relação ao presidente russo, Vladimir Putin.

“Hoje em dia, as relações humanas e entre os Estados tornam-se cada vez mais bárbaras”, avaliou o pontífice, pedindo que a Europa ponha fim à “espiral de mentira e engano”, em uma crítica velada a políticos populistas como o presidente de seu país natal, Donald Trump.

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Multilateralismo

Leão enxerga o continente europeu como um possível contrapeso às grandes potências e já sugeriua anteriormente que a União Europeia supere tensões internas. Após reafirmar seu apoio ao “direito internacional e o multilateralismo”, o papa pediu, ainda, para “integrar” os imigrantes e alertou contra “a ilusão do rearmamento”, em um momento em que os países europeus aumentam seus gastos militares frente a uma Rússia cada vez mais desafiadora.

“É preciso comprometer-se com um diálogo paciente, mostrar audácia na negociação e estarmos dispostos a sacrificar algumas posições pelo bem maior da paz”, acrescentou o pontífice, cujo próprio pai desembarcou na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial.

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+ Após semanas de tensões com Trump, papa Leão XIV recebe chefe da diplomacia dos EUA

Eleições à vista

Ao seu lado, o presidente francês, Emmanuel Macron, que convidou sem sucesso outros líderes da União Europeia para o evento — apenas Luxemburgo compareceu –, pediu que não se ceda ao “retorno dos nacionalismos”, enquanto vários países importantes se preparam para eleições em 2027, com partidos de extrema direita em ascensão.

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A sete meses da eleição presidencial francesa, que a líder de extrema direita Marine Le Pen lidera nas pesquisas, o papa também fez um pedido à Virgem de Lourdes: “Conceda à França governantes sábios e generosos (…) Que mantenham o país em paz no concerto das nações”.

Segundo o Vaticano, Leão levou às ruas do país laico mais de 1,3 milhão de fiéis. Só em Metz, onde Leão celebrou uma missa na catedral gótica da cidade, seu último compromisso na viagem, 35 mil pessoas o aclamaram antes de partir de avião para Roma.
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