Papa Leão diz que conflitos no Oriente Médio pressionam relação entre judeus e cristãos
Pontífice assinou novo decreto sobre esforços da Igreja Católica para manter o diálogo inter-religioso
O papa Leão XIV afirmou, nesta quarta-feira, 16, que conflitos recentes no Oriente Médio deixaram marcas profundas no diálogo judaico-cristão, causando ainda mais divergências entre os fiéis das duas religiões, por causa das diferentes visões sobre as guerras em curso na região.
“Muitos canais de comunicação ficaram tensos”, diz o novo decreto elaborado por três importantes órgãos do Vaticano e aprovado pelo papa para marcar os esforços da Igreja Católica em prol do diálogo inter-religioso. “No entanto, os pilares do diálogo entre fiéis, construídos ao longo de 60 anos de esforço conjunto, permaneceram firmes. Sobre essas bases, é possível e necessário continuar construindo”.
O documento, emitido no aniversário de um texto elaborado pela Igreja em 1965 para se comprometer a melhorar a relação entre judeus e cristãos, não especificou a qual conflito no Oriente Médio a instituição religiosa estaria se referindo. No entanto, o pontífice reforçou que a Igreja condena tanto a islamofobia quanto o antissemitismo.
A mensagem passada pelo novo decreto descreve o combate ao antissemitismo como uma responsabilidade compartilhada entre judeus e cristãos. O texto também ressalta que atitudes islamofóbicas não são diferentes de casos de violência extremista e fazem parte do cotidiano de muçulmanos no mundo todo.
Crítica à guerra no Irã
Leão, o primeiro papa nascido nos Estados Unidos, já havia criticado a guerra no Irã em ocasiões anteriores, o que causou comentários negativos do presidente Donald Trump nas redes sociais.
Em março, o pontífice condenou a “violência atroz” no conflito e lamentou os milhares de mortes de civis. Na ocasião, ele também fez um apelo à comunidade internacional: “Em nome dos cristãos do Oriente Médio e de todas as mulheres e homens de boa vontade, apelo aos responsáveis por este conflito: cessem fogo! “.
Em outro momento, no mês de maio, quando publicou sua primeira encíclica papal, o prelado condenou o conceito de “guerra justa”, utilizado pelo governo de Trump para justificar suas ações militares.







