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Papa Francisco se diz envergonhado por abusos cometidos pela Igreja

Relatório apresentado na terça-feira afirma que mais de 216.000 pessoas foram abusadas por membros da Igreja Católica na França

Por Da Redação 6 out 2021, 12h57

O papa Francisco afirmou nesta quarta-feira, 6, em seu nome e em nome da Igreja Católica, estar envergonhado pelo recente escândalo de abusos sexuais de crianças na França por clérigos católicos, após a divulgação de um amplo relatório, que representa mais um golpe à instituição, já abalada por escândalos financeiros neste ano.

“Gostaria de expressa às vítimas minha tristeza e dor pelo trauma que sofreram”, disse durante audiência semanal no Vaticano. “E também minha vergonha, nossa vergonha, minha vergonha pela incapacidade da Igreja por muito tempo de colocá-los no centro das preocupações”.

Na terça-feira, uma comissão independente criada pela Conferência Episcopal da França revelou que cerca de 216.000 pessoas sofreram abusos sexuais no país, cometidos por integrantes da Igreja Católica desde 1950.

Segundo o presidente do órgão, Jean-Marc Sauvé, se forem somados os casos envolvendo funcionários laicos, que trabalham em instituições ligadas à Igreja Católica, o número de vítimas pode chegar a 330.000.

As conclusões apontam que a igreja é o terceiro local onde mais acontecem abusos sexuais contra menores de idade na França, atrás apenas das próprias famílias e dos círculos de amigos.

Poucas horas depois da revelação, o papa Francisco se manifestou por meio de um comunicado. Em documento, ele agradeceu às vítimas que se apresentaram para denunciar os ocorridos, mesmo diante da “terrível realidade”.

O caso coloca ainda mais pressão sobre o Vaticano, em meio a um polêmico julgamento por investimentos no exteriore diversas questões sobre transparência financeira.

Em junho, o Vaticano divulgou sua revisão mais abrangente das leis da Igreja nos últimos 40 anos, envolvendo uma seção inteira do Código de Direito Canônico da igreja, um conjunto de sete livros com cerca de 1.750 artigos.

Embora tenha foco maior em regras contra clérigos que abusam de menores ou de adultos vulneráveis, o novo código fala explicitamente de punições a crimes econômicos e segue um decreto anterior de Francisco para tornar os fundos de caridade mais transparentes.  Em suas políticas contra a corrupção, chegou a proibir que qualquer funcionário do Vaticano receba presentes que custem mais de 40 euros.

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