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Papa Francisco poderá se tornar alvo da máfia italiana, alerta promotor

Iniciativas do pontífice em combater a corrupção dentro e fora da Cidade do Vaticano teriam irritado os grandes chefes do crime organizado no país

Por Da Redação
13 nov 2013, 16h26

A campanha iniciada pelo papa Francisco para combater a corrupção dentro e fora do Vaticano obrigou as autoridades italianas a acenderem um sinal de alerta com relação à integridade do pontífice. Segundo o promotor Nicola Gratteri, responsável pelo combate à máfia ‘Ndrangheta, a organização criminosa mais perigosa da Calábria, na região sul da Itália, o papa poderá se tornar alvo dos principais chefes mafiosos do país. A justificativa para um atentado contra a vida de Francisco seria a de que as homilias do papa teriam deixado as redes de corrupção “nervosas e agitadas”.

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“O papa Francisco está desmantelando centros de poder econômico dentro do Vaticano. Se os chefes tiverem a oportunidade de pará-lo, eles não hesitarão. Eu não sei se o crime organizado está em posição para fazer algo, mas eles certamente estão pensando sobre isso. Eles podem ser muito perigosos”, afirmou Gratteri, ao jornal italiano Il Fatto Quotidiano. Em um sermão na segunda-feira, Francisco novamente atacou os corruptos e os chamou de “falsos cristãos”. Na mesma semana, a polícia italiana interditou um hotel de luxo que havia sido comprado pela ‘Ndrangheta para assuntos religiosos.

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“A máfia investe, lava dinheiro e tem o verdadeiro poder. Foi a máfia que ficou rica durante os anos de conivência da Igreja. Essas pessoas estão ficando muito nervosas”, disse Gratteri, que também criticou os padres e bispos que legitimam o crime organizado no sul da Itália. “Padres visitam constantemente as casas de mafiosos para tomar café, o que dá a esses criminosos poder e legitimação popular”, acrescentou. Segundo Gratteri, um bispo da Calábria chegou a excomungar criminosos que danificaram as árvores de uma igreja, mas, “antes desse episódio, eles mataram centenas de pessoas” sem sofrer nenhuma punição.

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Os mafiosos citados por Gratteri são muito religiosos e devotos do cristianismo em sua grande maioria. O promotor disse que nunca viu um membro do crime organizado ateu durante os 26 anos em que exerce a profissão. “Não existe nenhuma afiliação que não invoque a religião. A ‘Ndrangheta e a Igreja andam de mãos dadas. Antes de matar, um membro da ‘Ndrangheta reza. Ele pede proteção à Virgem Maria”, afirmou.

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Histórico – A luta contra a corrupção foi uma das principais bandeiras levantadas por Francisco desde a sua escolha para substituir o antecessor Bento XIV, que renunciou ao pontificado. O papa chegou a organizar uma reunião com um seleto grupo de cardeais para discutir a elaboração de uma nova constituição para a Cúria Romana, que no período de João Paulo II e Bento XVI, à revelia deles, virou um templo de denúncias de pedofilia acobertadas, roubalheira, corrupção e chantagem envolvendo prelados que sequestravam o poder decisório do Vaticano mediante extorsão de dinheiro.

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Recentemente, Francisco aplicou uma punição exemplar ao suspender o alemão Franz-Peter Tebartz-van Elst, conhecido como “bispo do luxo”, por tempo indeterminado de sua diocese. Tebartz-van Elst gastou cerca de 31 milhões de euros (mais de 90 milhões de reais) em uma residência oficial em Limburgo, no oeste da Alemanha. A moradia episcopal foi inicialmente orçada em 5,5 milhões de euros (16,4 milhões de reais). Após a decisão do pontífice, a Igreja Católica da Alemanha passou a cogitar a possibilidade de transformar a mansão do “bispo do luxo” em local de acolhimento e alimentação para pobres ou em um centro de refugiados.

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