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Papa faz 79 em ano marcado por atuação diplomática e escândalos no Vaticano

O sumo pontífice teve uma atuação diplomática diversificada em 2015, tendo como ponto alto a vista aos EUA e à Cuba, selando a reaproximação mediada pelo Vaticano

Fiel ao seu estilo de hábitos modestos, o papa Francisco completa nesta quinta-feira 79 anos e já avisou que não quer festa nem homenagens. O ano de 2015 foi bastante agitado para o sumo pontífice, marcado, sobretudo, por sua relevante atuação diplomática e por escândalos no Vaticano, que não programou nenhum evento especial para o dia de hoje. Jorge Bergoglio rezou, como sempre faz, a missa na capela de Santa Marta às 7h00 do horário local (4h00 em Brasília) e durante o resto do dia continuará com suas obrigações como chefe da Igreja Católica.

Diplomacia e reformas marcaram a agenda política do pontífice em 2015 tanto em suas viagens ao exterior como no interior dos muros do Vaticano, onde ele continua a implementar uma complicada reestruturação, principalmente nas finanças da Santa Sé. Com uma viagem histórica, o papa Francisco selou o começo da reconciliação entre Cuba e Estados Unidos e continuou em sua tentativa de pedir o fim dos conflitos no mundo, enquanto alguns obstáculos – e até fofocas -deixaram evidentes as resistências às reformas que impulsiona.

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O pontífice, que sempre disse que não gosta de viajar, visitou quatro continentes neste ano. Os destinos em janeiro foram Sri Lanka e Filipinas; em junho, Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina; Equador, Bolívia e Paraguai em julho; Estados Unidos e Cuba em setembro; e Quênia, Uganda e República Centro-Africana em novembro. A mediação pelo diálogo chegou ao ápice em setembro, quando serviu como uma decisiva ponte de comunicação internacional entre Cuba e EUA, com visitas a ambos os países e reuniões com seus respectivos presidente e ditador. No contexto internacional atual, o papa também espalhou mensagens cobrando mais diálogo e melhor convivência entre religiões em Sarajevo ou em sua última viagem à África.

Ano difícil – Entre as dificuldades, a de maior repercussão foi a revelação de vários escândalos no Vaticano, no prosseguimento do caso chamado de VatiLeaks. Documentos apontam que funcionários do Banco do Vaticano e de outras instituições da Santa Sé estavam enriquecendo ilicitamente, desviando verbas da Igreja Católica e cobrando subornos. Depois, em outubro, pouco antes do Sínodo da Família, houve a confissão do padre e teólogo polonês e integrante da Congregação para a Doutrina da Fé. Krysztof Charamsa admitiu que é homossexual e que tem um parceiro. E, se não bastassem esses problemas, uma fofoca chacoalhou o Vaticano. Uma surpreendente reportagem de um jornal italiano informou que o papa havia descoberto um tumor cerebral, justo no momento em que o Sínodo dos bispos chegava a seu fim, voltava a levantar suspeitas.

Jorge Mario Bergoglio é o primeiro papa latino-americano e também o primeiro jesuíta. Atual máximo representante da Igreja Católica é o pontífice de número 266 e substituiu Bento XVI, primeiro papa da Era Moderna que renunciou ao pontificado. Graduou-se em Ciências Químicas, mas optou pelos estudos eclesiásticos e em 11 de março de 1958 ingressou no noviciado da Companhia de Jesus. No dia 13 de março de 2013 foi eleito papa no segundo dia de conclave e na quinta apuração, e escolheu para seu pontificado o nome de Francisco e o lema “Miserando atque eligendo” (“Olhou-o com misericórdia e o escolheu”). Desde então, iniciou um processo de reforma das estruturas da Cúria, com atenção especial para a parte econômica e financeira.

(Da redação)