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Papa fala pela primeira vez sobre pedofilia: ‘Tolerância zero’

Francisco exige determinação da Igreja em relação aos casos de abusos

Por Da Redação 5 abr 2013, 11h55

O papa Francisco exigiu nesta sexta-feira que a Igreja Católica “atue com determinação” diante dos abusos sexuais cometidos por religiosos, ao receber, no Vaticano, os membros da Congregação para a Doutrina da Fé, encarregada de tais denúncias. É a primeira vez que o pontífice latino-americano se pronuncia sobre as milhares de denúncias em todo o mundo contra padres pedófilos.

“O Santo Padre recomendou, em particular, o prosseguimento da linha de seu antecessor Bento XVI de agir com determinação nos casos de abusos sexuais”, afirmou em um comunicado o Vaticano. O papa prometeu que manterá a política de tolerância zero contra a pedofilia, como Bento XVI, e convidou a hierarquia da Igreja a promover “acima de tudo medidas de proteção dos menores”, segundo a nota divulgada pelo gabinete de imprensa da Santa Sé.

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Francisco também pediu para que “todos aqueles que foram vítimas de violência no passado sejam ajudados” e que os devidos procedimentos contra os culpados sejam impulsionados. Também convidou as conferências episcopais de todos os países a “formular e cumprir” as diretrizes estabelecidas e disse que reza de modo particular pelo sofrimento das vítimas de abusos.

Autoridades do Vaticano disseram que Francisco, em uma reunião com o chefe de doutrina da Santa Sé, arcebispo Gerhard Muller, afirmou que combater o abuso sexual é importante “para a Igreja e sua credibilidade”. Francisco, eleito no dia 13 de março para substituir Bento XVI após sua renúncia, herdou uma Igreja manchada por problemas e envolvida num grande escândalo de abusos sexuais de crianças cometidos por padres.

Escândalo – Em 5 de fevereiro, a Congregação para a Doutrina da Fé informou que nos últimos três anos chegaram ao Vaticano 1.800 denúncias de casos de abusos sexuais a menores por parte de clérigos e que a maioria deles ocorreram entre 1965 e 1985.

O maior número de denúncias aconteceu em 2004, quando chegaram 800 ao dicastério vaticano, encarregado desse tipo de crime e que enviou em 2011 a todas as Conferências Episcopais um guia para enfrentar, de maneira “coordenada e eficaz”, os casos de padres pedófilos. Foi dado um prazo de um ano às conferências para adotarem as diretrizes em matéria de luta contra a pedofilia, que envolvem colaborar com a justiça civil. O escândalo dos sacerdotes que abusaram de crianças e adolescentes explodiu primeiro nos Estados Unidos no início dos anos 2000. Depois afetou as Igrejas de vários países da Europa, sobretudo da Irlanda, onde foram registrados milhares de casos de abusos. A maior parte dos casos data das últimas décadas, mas outro crime ainda viria se somar ao cometido pelos sacerdotes: o silêncio que cobria os atos. Alguns padres eram transferidos ou protegidos pelos prelados. A Igreja da América Latina também conheceu uma série de escândalos. O mais conhecido foi o do fundador mexicano do movimento conservador dos Legionários de Cristo, Marcial Maciel, também culpado de abusos sexuais. O papa Bento XVI pediu perdão em várias ocasiões em nome da Igreja às vítimas e impulsionou a tolerância zero. (Com agências EFE e France-Presse)

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