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Papa diz a homem gay que “Deus o fez e o ama assim”

Pontífice teria dito a frase durante conversa com uma vítima de abuso sexual cometido por um padre chileno

Por Da Redação Atualizado em 21 Maio 2018, 22h37 - Publicado em 21 Maio 2018, 16h10

O Papa Francisco teria afirmado a uma vítima de abuso sexual que Deus o havia feito gay e o amava desta forma, assim como ele deveria amar a si mesmo. A afirmação indica um gradual reposicionamento da Igreja Católica, que historicamente condena a homossexualidade.

Juan Carlos Cruz reuniu-se com Francisco em abril deste ano no Vaticano para conversar sobre o abuso que sofreu de um dos mais importantes padres chilenos, Fernando Karadima. O papa havia convidado e outras duas vítimas do padre Karadima para um final de semana de conversas no Vaticano.

À rede americana CNN, Cruz descreveu o que Francisco lhe disse quando conversaram sobre sua sexualidade: “Você sabe, Juan Carlos, isso não importa. Deus te fez assim. Deus ama você assim. O Papa te ama assim e você deve amar a si mesmo e não se preocupar com o que as pessoas dizem”.

Juan Carlos Cruz, uma das três vítimas de abuso sexual por parte de um padre no Chile, fala durante uma coletiva de imprensa em Roma na Itália – 02/05/2018 Stefano Rellandini/Reuters

Segundo Juan Carlos Cruz, o assunto sobre sua sexualidade teria surgido porque alguns bispos latino-americanos diziam que ele mentira sobre os abusos que sofrera e que era, na verdade, um pervertido.

Procurado para comentar a afirmação de Cruz, o Vaticano afirmou que “normalmente não comenta sobre conversas privadas do Papa”.

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Francisco se reuniu com Cruz, James Hamilton e José Andrés Murillo, todos  vítimas de abuso de padres chilenos. O padre Karadima foi pelo bispo de Ozono, Juan Barros.

Na sexta-feira (18), 34 bispos chilenos renunciaram a seus cargos, depois de várias conversas com o Pontífice sobre os escândalos de abuso sexual e o acobertamento dos crimes pela Igreja Católica chilena. Francisco precisa ainda aceitar ou rejeitar as renúncias.

  • Na declaração, os bispos voltaram a “pedir perdão pela dor causada às vítimas”, agradeceu-lhes por “sua perseverança e coragem”, apesar das dificuldades e “dos ataques da própria comunidade eclesiástica”.

    Entre os 34 bispos presentes estão vários dos acusados de terem acobertado durante décadas os abusos cometidos pelo padre Fernando Karadima. Ele foi suspenso de forma vitalícia, após ser declarado culpado em 2011 de abuso sexual a menores nos anos 1980 e 1990.

    (Com AFP)

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