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Pandemia desafia sistema de saúde na América Latina e Caribe

Unicef estima que 95% das crianças estão fora da escola na região por causa da epidemia e teme `crise educativa sem precedentes`

Por Da Redação 24 mar 2020, 13h07

A pandemia de coronavírus na América Latina e Caribe desafia os sistemas de saúde e a capacidade financeira de seus governos e alimenta temores sobre a propagação da Covid-19, especialmente nos bolsões de pobreza. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a região totalizava mais de 4.000 casos de contaminação confirmados e 44 mortes até a segunda-feira 23. Os dados sobre o Brasil, onde o primeiro caso latino -americano foi registrado em 26 de fevereiro, se mostram defasados. Há  1.891 casos e 34 óbitos até esta terça-feira, 24, segundo o Ministério da Saúde.

Embora quase todas as fronteiras terrestres já estejam fechadas e os voos dos países mais afetados estejam suspensos na maioria das nações latino-americanas, vários governos reforçaram as medidas de restrição à circulação de pessoas. Pelo menos quatro países decretaram contenção geral. A Venezuela, onde o sistema de saúde se mostra precário há anos para lidar com doenças menos contagiosas, foi o primeiro a impor quarentena, em 17 de março. A Argentina, submersa em grave crise econômica e social, está confinada desde sexta-feira 20, e a Bolívia aderiu à quarentena obrigatória no domingo 22, seguida pela Colômbia.

“Temos que ficar em casa 24 horas por dia porque esse é o caminho para derrotar o coronavírus”, disse a presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez.

Na Guatemala, o toque de recolher foi declarado, e o Paraguai prorrogou a suspensão das aulas e de todos os eventos culturais e esportivos até meados de abril. No Equador, país com o terceiro maior número de mortes (7) na região, atrás do Brasil, os ministros da Saúde, Catalina Andramuño, e do Trabalho, Andrés Madero, renunciaram neste fim de semana. Andramuño discordou do orçamento destinado ao combate da epidemia. Madero contraíu o coronavírus.

Vários países já tiveram de adiar processos eleitorais. A Bolívia, ainda em crise política desde a renúncia do então presidente Evo Morales em outubro passado, suspendeu as eleições gerais marcadas para 3 de maio. O pleito seria marcado pela sucessão de Morales e por sua candidatura ao Senado. No Chile, também agitado por uma grave crise social, o referendo constitucional previsto para o final de abril foi adiado para 25 de outubro.

A Colômbia, onde mais da metade da população está em confinamento desde sexta-feira, tem enfrentado rebeliões em várias prisões. Pelo Twitter, o presidente Iván Duque prometeu garantir a tranquilidade do país. “Protegeremos suas vidas, mas não podemos aceitar rebeliões”, responder aos detentos.

Em Santiago, Chile, os espaços públicos foram esvaziados pelos moradores, e as manifestações contra o governo de Sebastián Piñera, paralisadas. Mas as praias a 100 quilômetros da capital ainda estavam cheias, o que suscita a preocupação das autoridades e a possível adoção de restrições mais duras.

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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que pedira ao Fundo Monetário Internacional (FMI) ajuda financeira de 5 bilhões de dólares para o combate à epidemia, recebeu resposta negativa do organismo por causa da “falta de clareza” sobre o reconhecimento do governo. “Lamentavelmente, o Fundo não está em condições de analisar a solicitação”. Os recursos, segundo Maduro, contribuiriam “significativamente para fortalecer nossos sistemas de detecção e resposta” diante da pandemia, que até agora contaminou 33 pessoas.

  • Sem aulas

    Mais de 95% das crianças da América Latina e Caribe – 154 milhões – estão temporariamente fora da escola em função da epidemia do coronavírus, informou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que pretende enfrentar a “crise educativa sem precedentes” com a campanha #AprendoEmCasa.

    “Quase 90% dos centros de ensino infantil, fundamental e médio da região estão fechados pela pandemia, e o porcentual está crescendo rapidamente”, afirmou o Unicef por meio de comunicado, baseando-se em dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

    “Esta é uma crise educativa sem precedentes na história recente da América Latina e do Caribe”, afirmou Bernt Aasen, diretor do Unicef para a região. “Se a situação for prorrogada, haverá um grande risco de meninos e meninas ficarem para trás em sua curva de aprendizado e de que os alunos e alunas mais vulneráveis não retornem às aulas. É vital que recorram a todas as ferramentas e canais disponíveis, seja por meio de rádio, televisão, internet ou celulares, para enfrentar o desafio com um esforço conjunto dos Estados, do setor privado, dos pais e dos meninos e meninas”.

    O Unicef fez um apelo para o estímulo de conteúdos acessíveis em rádio e televisão para os menores em risco de exclusão, sem acesso à internet, com deficiência, migrantes e de comunidades indígenas”. Neste sentido, a agência da ONU afirmou que trabalha ao lado dos governos da região e de outros aliados para “desenvolver métodos flexíveis de ensino à distância com conteúdos tanto digitais, como para rádio e televisão, assim como materiais de leitura e tarefas guiadas”.

    O fechamento das escolas também afeta outros serviços escolares importantes: alimentação, recreação, atividades extracurriculares e apoio pedagógico, assim como serviços de saúde e de água, saneamento e higiene.

    Por isso, o Unicef e seus sócios iniciam esta semana a campanha digital de alcance regional #AprendoEmCasa”, para proporcionar às famílias e aos educadores da região as ferramentas educativas e de treinamento gratuitas, assim como conselhos e exemplos de boas práticas de saúde e higiene.

    (Com AFP)

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