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Palestinos dispostos a examinar cádaver Arafat se a família aceitar

Os dirigentes palestinos afirmaram que estão dispostos a examinar o cadáver de seu líder histórico Yaser Arafat, depois das revelações de um documentário exibido pelo canal Al-Jazeera.

“Depois da exibição do documentário da Al-Jazeera, conversei com o presidente (Mahmud) Abbas e recomendei que aceite uma análise do cadáver do presidente mártir Arafat. Abbas aceitou, com a condição de que a viúva Suha Arafat e o sobrinho Naser al-Qidwa, como representantes da família, aprovem”, declarou à AFP Taufic Tirawi, diretor da comissão de investigação palestina sobre a morte de Arafat.

“A Autoridade (Palestina) está sempre disposta a cooperar plenamente e a proporcionar todas as facilidades para descobrir as verdadeiras razões da doença e da morte do antigo presidente”, declarou o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina.

O negociador palestino Saeb Erakat pediu nesta quarta-feira a formação de uma comissão de investigação internacional sobre a morte do líder Yaser Arafat, após as revelações de um documentário exibido na terça-feira pelo canal Al-Jazeera.

“Pedimos a formação de uma comissão de investigação internacional, baseada no modelo da comissão de investigação internacional sobre o assassinato do primeiro-ministro libanês Rafic Hariri”, declarou Erakat à AFP.

Arafat, que morreu em 2004 em Paris aos 75 anos, teria sido envenenado com polônio, uma substância radioativa, segundo as conclusões de exames efetuados em um laboratório na Suíça e citados no documentário da Al-Jazeera.

As análises foram feitas com uma mostra biológica retirada dos pertences do dirigente palestino e entregues à viúva, Suha, pelo hospital militar de Percy, ao sul de Paris, onde Arafat faleceu, segundo François Bochud, diretor do Institute for Radiation Physics de Lausanne (Suíça).

“A conclusão é que detectamos um nível significativo de polônio nas mostras”, afirma no documentário, que precisou de nove meses de investigação, segundo a Al-Jazeera.

O polônio é uma substância pouco comum e altamente radioativa. Teria sido utilizada para envenenar o ex-espião russo Alexander Litvinenko, que faleceu em Londres em 2006.

Em 11 de novembro de 2011, data do sétimo aniversário da morte do dirigente palestino, Suha lamentou a morte do “presidente Arafat e, com ele, o segredo de seu falecimento”.

A viúva disse que o atestado de óbito oficial “afirma que a causa da morte foi a destruição de glóbulos vermelhos, sem mencionar a origem do problema”.

Yaser Arafat ficou doente em seu quartel-general de Ramallah, na Cisjordânia, cercado pelo Exército israelense, e faleceu em 11 de novembro de 2004 em Percy.

A morte do líder histórico palestino é um enigma. Os quase 50 médicos que o atenderam não chegaram a uma conclusão para explicar a rápida deterioração de seu estado de saúde. Os palestinos acusaram Israel de envenenamento.