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Palestino é morto a tiros na Cisjordânia

Segundo o Exército de Israel, o homem baleado era um terrorista que tentou atacar civis israelenses; Palestina questiona e pede investigação

Um homem palestino foi morto a tiros na Cisjordânia nesta quarta-feira, 3. Ele teria sido baleado depois de tentar esfaquear civis israelenses, segundo informações das Forças Armadas de Israel.

Uma testemunha, Yehoshua Sherman, um colono da Cisjordânia, endossou a versão dos militares em uma entrevista à Rádio Israel. O israelense contou que estava dirigindo lentamente pelo cruzamento, com sua filha ao lado, quando um palestino atacou o carro em que estavam.

“Ele pulou em cima de mim com uma faca, tentando abrir as portas”, relatou Sherman. “Eu puxei minha arma, abaixei a janela, e atirei nele de dentro do carro.”

Um segundo motorista também teria disparado contra o palestino, acertando-o, afirmou o colono. As forças militares de Israel emitiram um comunicado confirmando que “um terrorista foi baleado por um civil e neutralizado após tentar realizar um ataque à faca”.

As autoridades palestinas, entretanto, questionam o motivo do tiroteio, em um cruzamento da aldeia de Huwara. Elas atribuem a morte à resposta armada excessiva dos israelenses. Uma fonte do Ministério de Defesa palestino disse que recebeu uma informação inicial de que o homem morto estava tentando atravessar a rua. Outra pessoa teria sido ferida no episódio.

Questionado sobre outras vítimas no ataque, o Exército israelense afirmou que não tinha nada a acrescentar ao comunicado oficial. Ghassan Daghlas, uma autoridade palestina na província de Nablus, próxima ao local do incidente, exigiu uma investigação do tiroteio.

“O lugar inteiro e a rua toda estão cheios de câmeras de segurança. As câmeras devem ter filmado tudo”, disse ele.

Semana tensa

Esta já é a segunda morte registrada na região apenas nesta semana. Ontem, um rapaz palestino de 23 anos também foi baleado e morreu antes de chegar ao hospital. A região do incidente fica a menos de 50km de Jerusalém, onde o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, cumpriu agenda nos últimos dias.

Na situação de terça-feira 2, os militares israelenses também alegaram que seus soldados dispararam contra rebeldes palestinos ao ser atacados com pedras e explosivos, durante uma operação no sudeste da cidade de Ramallah, a capital virtual da Palestina.

A agência de notícias palestina Maan conta outra versão, em que Mohammed Edwan foi atingido por tiros dentro de seu carro, enquanto passava pelos arredores do campo de refugiados de Kalandia. Mesmo ferido, ele permaneceu sob custódia do Exército isralense e só depois de algum tempo foi liberado para atendimento pelos médicos que estavam no local.

Os incidentes dos últimos dias não são isolados. Na última semana, a fronteira entre Israel e Gaza foi bloqueada depois que um míssil, atribuído ao grupo terrorista Hamas, foi lançado de Gaza em direção à uma vila israelense próxima de Tel-Aviv, destruindo uma casa e deixando sete pessoas feridas.

As tensões na Cisjordânia também ficaram mais acirradas desde meados de março, quando um palestino matou um soldado e um rabino israelenses em um ataque com faca e arma de fogo.

As rebeliões palestinas consecutivas fazem parte da chamada Marcha do Retorno, que começou há pouco mais de um ano, em 30 de março de 2018. O movimento tem o objetivo de reivindicar o regresso dos refugiados palestinos a seus locais de origem, em Israel, e de pedir o fim do bloqueio israelense a Gaza, imposto desde 2007.

Israel incorporou o território da Cisjordânia na Guerra dos Seis Dias de 1967. Os palestinos querem estabelecer um Estado ali e na Faixa de Gaza, tendo Jerusalém Oriental como sua capital. As conversas de paz israelo-palestinas travaram em 2014.

(com Reuters)