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Palácio de Castel Gandolfo, o novo refúgio de Bento XVI

Quarto em que o religioso ficará por dois meses foi local de nascimento de 50 crianças na 2ª Guerra Mundial. Lá, ele fará sua última aparição como papa

Por Da Redação 21 fev 2013, 08h31

O Vaticano apresentou nesta quarta-feira, de forma excepcional, o palácio de Castel Gandolfo e o dormitório no qual Bento XVI ficará provisoriamente alojado quando renunciar. O quarto em que ele ficará hospedado foi o mesmo em que nasceram 50 crianças durante a 2ª Guerra Mundial, filhos de italianos que ali se refugiaram.

A cidade de Castel Gandolfo, banhada pelo lago Albano, se encontra a 30 quilômetros ao sul de Roma. Em 1626, o papa Urbano VIII ordenou a construção da residência de campo para passar o verão.

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Desde então, detalhou Saverio Petrillo, diretor da Vila Pontifícia de Castel Gandolfo, a Igreja Católica teve 31 papas, dos quais apenas 15 pisaram no palácio e se hospedaram nele. Um deles foi Bento XVI, que ao longo de seus quase oito anos de pontificado passou longas temporadas ali, onde escreveu parte da trilogia Jesus de Nazaré.

“Aqui tenho tudo, o lago, a montanha e vejo o mar”, afirmou Bento XVI após tomar posse do palácio, uma frase que o prefeito da cidade gravou em uma placa e colocou em uma praça. Bento XVI abandonará o Vaticano às 17h (hora local) do dia 28 de fevereiro em helicóptero e, 15 minutos depois, estará em Castel Gandolfo, onde permanecerá por dois meses, até que sejam concluídas as obras de restauração do mosteiro de Mater Ecclesia, no recinto do Vaticano, onde ficará definitivamente.

Última aparição – Assim que chegar a Castel Gandolfo, está previsto que Bento XVI cumprimente aos moradores da varanda da fachada principal, naquela que será a sua última aparição pública como papa. Depois ele se instalará nos dois andares que compõem o apartamento papal, que inclui o dormitório do pontífice, os quartos dos secretários e das quatro laicas consagradas que cuidam dele e que vão acompanhá-lo nesta nova etapa, além de uma capela privativa.

Petrillo contou que, entre janeiro e junho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 10 mil pessoas se refugiaram no palácio. Durante aqueles meses nasceram no palácio 50 crianças, que vieram ao mundo no atual dormitório papal, transformado em berçário. Em agradecimento, os pais batizaram essas crianças com os nomes de Eugenio e Pio, em homenagem ao então pontífice Pio XII, Eugenio Pacelli.

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Os jardins têm dois quilômetros de comprimento e foram projetados por Bernini. Entre as centenas de árvores se encontra um pequeno lago com uma imagem de Nossa Senhora, um lugar onde os papas costumam descansar durante seus passeios.O Palácio de Castel Gandolfo e os jardins ocupam 55 hectares, um território maior que o próprio Vaticano. Nas três vilas que compõem o complexo (o palácio papal, a vila Barberini e outra destinada à administração) trabalham 55 pessoas, muitas das quais vivem no recinto com suas famílias.

Leite fresco – O complexo pontifício também conta com uma criação de gado com vacas, das quais se obtêm cerca de 600 litros de leite todos os dias e que o Vaticano vende em seu supermercado e em algumas leiterias locais. Também há uma granja e os ovos das galinhas, assim como o leite, são muito apreciados.

Da “rifa” participam os filhos e parentes dos empregados e, segundo Turoli, é digno de ver como os papas se divertem durante esse sorteio.Pierpaolo Turoli, responsável pela administração da Vila Pontifícia, ressaltou que o “segredo” está nos campos e que os animais estão ao ar livre, pastando. Turoli, que trabalha na vila há mais de 40 anos, contou que um dos momentos mais cativantes durante a estadia papal é quando se realiza uma espécie de rifa com os presentes dados pelos pontífices e com os quais não se sabe o que fazer, como bicicletas, entre outros.

Observatório – O complexo de Castel Gandolfo contém também o antigo Observatório do Vaticano. Saverio Petrillo destacou a beleza do lugar e a tranquilidade que se respira nele. Uma beleza que nem todos os papas souberam ver, afirmou.

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Sobre este assunto, contou que o papa Inocêncio XII (1691-1700) chegou ao palácio na tarde de um dia chuvoso e com um denso nevoeiro e “achou o lugar tão feio que foi embora e nunca mais voltou”.

Petrillo reconheceu que o palácio não conta com grandes obras de arte como o Vaticano. As que mais se destacam são várias peças de tapeçaria e um conjunto de cadeiras chinesas pintadas à mão, mas acrescentou que a beleza natural da região, com o lago Albano de origem vulcânica, supre a falta de obras importantes.

(Com agência Efe)

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