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Países sul-americanos tentam coordenar medidas contra a crise global

Por Por Oscar Laski - 11 ago 2011, 19h27

Os ministros da Economia da Unasul (União Sul-americana de Nações) se reunirão esta sexta-feira, em Buenos Aires, para coordenar respostas unificadas da região ante a crise global.

A reunião tem o objetivo de coordenar “medidas conjuntas, que sirvam como base para a construção de uma arquitetura financeira regional que consolide a solvência externa frente à instabilidade dos mercados internacionais”, segundo o programa do encontro.

Os ministros se reunirão no âmbito dos efeitos da queda dos mercados, após a redução sobre a nota da dívida dos Estados Unidos, a primeira economia mundial, e em meio à crise de vários países da Europa.

“A fragilidade que o sistema político dos Estados Unidos demonstrou com o risco de default fragiliza seu papel na América Latina, potencializando a importância regional do Brasil e o papel da China no (campo) extrarregional”, afirmou o consultor e analista político Rosendo Fraga, em declarações à AFP.

Funcionários e especialistas consideram que as economias sul-americanas estão mais sólidas para responder às turbulências provocadas pela queda dos mercados e a crise europeia, com um elevado nível de reservas acumuladas, embora possam sofrer certa desaceleração do crescimento, até agora em alta na região.

O desastre dos mercados e a crise em países da Europa “não constituem uma ameaça séria para a região. Pode haver uma leve contração no crescimento, mas as economias da região estão sólidas, em particular as mais importantes, Argentina e Brasil”, disse por sua vez Mariano Peretti, analista da consultora Maxinver, à AFP.

“A situação na América Latina parece um sonho comparado com o que era vinte anos atrás”, explicou à AFP aquele que foi chefe da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) entre 1995-2004, Rubens Ricupero.

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A região acumula 500 bilhões de dólares em reservas internacionais, segundo a Cepal.

Ao descrever a situação nos países desenvolvidos, o ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega, disse que a “América Latina tem um desempenho melhor do que o dos países avançados, que a Europa e os Estados Unidos, e queremos preservar isto, inclusive estreitando as relações entre nós, aproveitando melhor nossos mercados e nossas relações comerciais”.

Neste contexto, outro tema crucial da reunião dos ministros dos 12 países sul-americanos é coordenar medidas financeiras entre seus Bancos Centrais para “o manejo e a mobilização das reservas internacionais”, assim como “o fortalecimento da Cooperação Andina de Fomento (CAF) e o possível lançamento do Banco do Sul”, segundo o programa do encontro.

“Se os países desenvolvidos deixassem de nos comprar, banquemo-nos (apoiemo-nos). Poderíamos formar um FMI (Fundo Monetário Internacional) latino-americano”, disse Peretti sobre a possibilidade de formar um organismo de assistência financeira regional.

Antes da cúpula ministerial na capital argentina, o alto representante do Mercosul, o brasileiro Samuel Pinheiro Guimarães, disse que o bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai tem laços “mais profundos” do que entre os países da Unasul, formados por oito países da região.

“Vimos que a Unasul está promovendo isto para enfrentar a crise. Mas os vínculos econômicos, sociais e políticos entre os países do Mercosul são mais profundos entre os países da América do Sul”, enfatizou.

“Então, temos uma responsabilidade ainda maior, porque temos vínculos muito mais estreitos”, acrescentou.

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