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Países reagem a ataque dos EUA que matou o general iraniano Soleimani

Rússia, China, França, Inglaterra e Alemanha se pronunciaram sobre o caso e pediram calma para ambas as partes

Por Da Redação Atualizado em 30 jul 2020, 19h32 - Publicado em 3 jan 2020, 11h55

Os governos dos países integrantes do Acordo Nuclear de 2015 se pronunciaram nesta sexta-feira, 3, sobre a morte do general das forças Quds, o braço de elite da Guarda Revolucionária Iraniana (GRI), Qasem Soleimani, após um ataque aéreo de autoria dos Estados Unidos.

A Rússia comunicou, por meio do ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, que a morte do general iraniano pode aumentar as tensões no Oriente Médio.

“A morte de Soleimani foi uma passo aventureiro que vai aumentar as tensões pela região”, disse Lavrov citado pela agência estatal de notícias Tass. “Soleimani serviu em causa dos interesses nacionais do Irã com devoção. Nós expressamos nossos sinceras condolências ao povo iraniano”, disse.

Já a China pediu calma aos lados a crise. “Pedimos que todos os lados, especialmente os Estados Unidos, ficam calmos e exercitem o autocontrole para evitar uma nova escalada de tensões”, disse o ministro de Relações Exteriores , Geng Shuang em uma conferência de imprensa.

O Reino Unido também falou sobre o ataque. Aliado dos Estados Unidos, o governo britânico disse que sempre reconheceu a “ameaça que as forças Quds iranianas comandadas por Qassem Soleimani representavam. Após sua morte, pedimos que todos envolvidos se acalmem. Um conflito (militar) não é de nosso interesse”.

A Alemanha e a França reconheceram que a escalda de tensões chegaram em um ponto perigoso. O governo alemão pediu por “prudência” e “comedimento” para as tesões esfriarem, enquanto o governo francês disseque a estabilização política do Oriente Médio é “estabilizar a região”.

O único país que veio em defesa direta dos Estados Unidos foi Israel. O primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, disse que os americanos, assim como os israelenses, “possuem o direito de se defenderem”. “Qassem Soleimani é responsável pela morte de cidadãos americanos e muitas outras pessoas inocentes. era ele quem planejava esses ataques”. O departamento de Defesa dos estados unidos haviam comunicado que o ataque foi realizado para evitar um “ataque iminente” do Irã e que mata-lo “salvou vidas americanas”.

Iraque, Hezbollah e Hamas

O primeiro-ministro do Iraque, Adel Abdul Mahdi, condenou o ataque classificando como uma agressão contra o país e que a ação americana poderia iniciar uma “guerra devastadora”. Mahdi, que é próximo a Teerã, afirmou que “o assassinato de um líder militar iraniano é uma agressão ao Iraque enquanto um Estado, ao governo e a população”.

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“Realizar uma operação de execução contra figuras iraquianas importantes ou de um país irmão em terras iraquianas é uma violação flagrante da soberania do Iraque e uma escalada perigosa que pode desencadear uma guerra destrutiva no Iraque, na região e no mundo”, disse Mahdi.

O primeiro-ministro completou dizendo que o ataque é “uma flagrante violação das condições que autorizavam a permanência de tropas americanas” em solo iraquiano.

O líder do grupo xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, afirmou que seguirá o legado do Soleimani. “Completaremos o caminho do comandante Soleimani e trabalharemos dia e noite para alcançar os objetivos dele”, afirmou o líder, em declarações difundidas pela emissora libanesa de televisão Al Manar.

“Vingar os assassinos dos mujadines (combatentes) será a responsabilidade e o trabalho de todos na Resistência”, afirmou Nasrallah, se referindo ao braço armado do grupo na região.

O grupo terrorista Hamas expressou seu apoio ao Irã. “Nós condenamos os crimes constantes do americanos que buscam apenas aumentar as tensões na região em serviço ao inimigo israelense”, disse o grupo em um comunicado.

Apesar do grupo ser da vertente sunita do islã (o que o colocaria como adversário de Teerã), o Hamas e o Irã possuem um inimigo em comum: Israel. Soleimani foi o responsável por criar uma ligação entre o grupo palestino o governo xiita para colaborarem contra o governo israelense.

A escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã ocorre desde a saída unilateral americana do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), mais conhecido como Acordo Nuclear, em março de 2018 e o restabelecimento de sanções econômicas na sequência. Desde então, vários episódios quase levaram os dois países à guerra, como o abate de um drone americano e o ataque contra as refinarias de petróleo da Aramco, empresa estatal da Arábia Saudita. Teerã acusa os Estados Unidos de “terrorismo econômico” ao asfixiar sua economia por meio das restrições econômicas. 

Segundo um vídeo publicado pelo Departamento de Estado em setembro de 2019, a campanha de “pressão máxima” contra o Irã resultou em uma inflação em 52% ao ano e a queda de 6% na taxa de crescimento do país. Um dos reflexos das sanções contra Teerã foram as manifestações contra o preço da gasolina no Irã, que deixaram cerca de 200 mortos e mais de 7.000 presos em 2019.

(Com EFE)

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