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Otan: mais de 1.000 militares russos estão na Ucrânia

Kiev considera a presença de tropas russas como invasão e fala em reação

Por Da Redação 28 ago 2014, 10h21

A Otan acredita que mais de 1.000 militares russos estão operando dentro da Ucrânia, disse um porta-voz militar nesta quinta-feira. “Eles estão apoiando separatistas e lutando com eles”, disse o oficial no quartel-general militar da Otan, no sul da Bélgica. A constatação da aliança militar do Atlântico Norte corrobora as acusações feitas por Kiev de que tropas russas invadiram o território ucraniano e tomaram algumas cidades no leste do país.

Em uma reunião em Viena, a Áustria, o embaixador ucraniano na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Ihor Prokopchuk, disse nesta quinta que seu país vai usar todos os meios disponíveis para defender sua independência e sua integridade territorial. Prokopchuk disse aos jornalistas, do lado de fora de uma reunião emergencial do conselho permanente da OSCE, que há evidências não apenas do apoio russo aos rebeldes separatistas no leste ucraniano, mas também provas do “engajamento direto russo no combate e confrontos com militares ucranianos lá [leste do país]”.

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O embaixador chamou o agravamento da situação de uma “invasão direta do Exército russo nos regiões do leste da Ucrânia”. Ele comparou a situação com a da Crimeia, que levou a Rússia a anexar a península. Prokopchuk acrescentou que pediu apoio a outros países membros da OSCE e que uma reunião de alto nível dos integrantes da organização para discutir a questão seria oportuna e útil. Andrey Kelin, embaixador russo na OSCE, disse que os únicos militares russos que entraram na Ucrânia foram os integrantes de um grupo de dez soldados que “involuntariamente cruzaram a fronteira”. Ele também repediu declarações anteriores de que a Rússia não está fornecendo qualquer apoio a grupos separatistas pró-Rússia na região. Kelin disse que a região enfrenta uma crise humanitária.

O embaixador dos Estados Unidos na organização, Daniel Baer, afirmou que a Rússia não está interessada na situação humanitária, tendo em vista que a Federação Russa está por trás da intensificação da violência no leste da Ucrânia. Baer, que disse que o aumento da violência é “muito preocupante”, declarou que os EUA estão comprometidos em garantir que, se a Rússia continua a aumentar suas atividades destrutivas, “haverá custos crescentes”..

Invasão – A Ucrânia denunciou nesta quinta que a cidade de Novoazovsk, que faz fronteira com a Rússia no leste do país, foi tomada na quarta por duas colunas de blindados russos. A região também foi atacada por tiros de artilharia e mísseis vindos do território do país vizinho. “Por volta das 12h30 (horário local), duas colunas formadas por tanques e blindados que entraram na Ucrânia a partir das localidades de Veselo-Voznesensk e Maximov, na região de Rostov da Federação da Rússia, atacaram a cidade de Novoazovsk”, assinala um comunicado do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia (CSND, na sigla em inglês).

“O comando ucraniano ordenou a retirada das unidades militares, do Ministério do Interior e da Guarda Fronteiriça de Novoazovsk com o objetivo de preservar a vida dos soldados ucranianos e reagrupar as forças e meios”, completa a nota. Segundo Kiev, também foram tropas russas e não os separatistas pró-Rússia que atuam na região que tomaram várias localidades em uma ampla faixa anexa à fronteira russo-ucraniana, de mais de cem quilômetros de extensão e 50 de largura ao sul da cidade de Donetsk, entre Starobeshevo e Novoazovsk.

O CSND vai além e denuncia uma intervenção das tropas regulares russas praticamente em todas as frentes onde os rebeldes ainda resistem e combatem. “Na última semana, as unidades de milicianos locais e cossacos nas cidades de Lugansk, Krasnodon e Antratsit, incapazes de resistir às forças de Kiev e envolvidas em pilhagem e organização de grupos armados, foram substituídas por tropas regulares do Exército russo”, denunciou o CSND.

Kiev considera que os separatistas e as tropas russas reúnem um grande grupo de soldados para lançar uma ofensiva rumo à região de Shajtiorsk, uma das cidades mais próximas ao lugar onde foi derrubado há mais de um mês o voo MH17 da Malaysia Airlines com 298 passageiros a bordo.

(Com agências Reuters, EFE e France-Presse)

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