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Otan confirma entrada de militares russos na Ucrânia

Segundo comandante da Aliança Atlântica, tropas, blindado, artilharia e sistemas de defesa antiaérea entraram nesta semana em território ucraniano

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) denunciou nesta quarta-feira que vários comboios militares russos, incluindo tanques, artilharia, defesa antiaérea e tropas de combate, entraram nos últimos dois dias no leste da Ucrânia. “Nos últimos dois dias, observamos a mesma coisa que a OSCE [Organização para a Segurança e Cooperação na Europa]. Vimos colunas de equipamento russo, tanques russos, sistemas de defesa antiaérea russos, artilharia russa e tropas de combate russas entrando na Ucrânia”, afirmou o comandante em chefe da Aliança Atlântica, Philip Breedlov.

A OSCE alertou nesta terça que o risco de uma escalada no conflito no leste da Ucrânia entre o governo de Kiev e os separatistas pró-russos está aumentando. “O nível de violência no leste da Ucrânia e o risco de uma nova escalada são altos e estão aumentando”, afirmou Michael Bociurkiw, membro da missão especial de supervisão da OSCE na Ucrânia, em coletiva de imprensa em Kiev.

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Nesta quarta-feira, os disparos de artilharia se intensificaram nesta quarta-feira perto de Donetsk, reduto separatista pró-russo no leste da Ucrânia, informaram jornalistas da agência France-Presse. Os disparos, mais intensos do que nos últimos dias, começaram nas primeiras horas da manhã e pareciam dirigidos contra o aeroporto, sob controle das tropas leais a Kiev. Segundo o exército ucraniano, um soldado ficou ferido no aeroporto, epicentro há meses de combates entre as tropas de Kiev e os separatistas.

Nos últimos dias, jornalistas da imprensa internacional na região presenciaram a chegada de comboios militares com tanques e caminhões sem matrícula. A Ucrânia denuncia desde sexta-feira a entrada no leste separatista pró-russo de tanques e peças de artilharia vindas da Rússia. A situação na região piorou consideravelmente após as eleições separatistas de 2 de novembro, que deixaram em situação crítica os acordos de paz assinados em setembro por Kiev e pelos separatistas pró-Rússia, com mediação da Rússia e da OSCE.

O conflito já causou mais de 4.000 mortos e este balanço demonstra mais uma vez a fragilidade do cessar-fogo concluído em 5 de setembro em Minsk, a capital da Bielorrússia. A crise ucraniana, iniciada há quase um ano com um movimento de protesto pró-Europa reprimido com violência e que provocou a queda do então presidente, o pró-Rússia Viktor Yanukovytch, provocou o pior momento nas relações entre Moscou e os países ocidentais desde o fim da Guerra Fria.

A União Europeia vai analisar a situação em uma reunião ministerial prevista para a próxima segunda-feira em Bruxelas. A questão ucraniana também foi discutida pelos presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, Barack Obama e Vladimir Putin, em Pequim, onde participaram na cúpula de dirigentes da Ásia e Pacífico.

(Com agências France-Presse e Reuters)