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OSCE critica votação que elegeu Putin

Por Por Luc PERROT 5 mar 2012, 11h38

A missão de observação eleitoral na Rússia considerou nesta segunda-feira “tendenciosa” e desigual a eleição presidencial que elegeu Vladimir Putin com cerca de 64% dos votos, em uma votação denunciada também pela oposição, que já convocou novas manifestações em Moscou.

As condições de campanha “foram claramente tendenciosas em favor de um candidato”, e a concorrência “não foi justa”, declarou a missão de observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) em um relatório sobre a eleição presidencial de domingo.

“O processo eleitoral se deteriorou no momento da apuração e evoluiu negativamente em um terço das seções eleitorais em consequência de irregularidades de procedimento”, acrescentaram os observadores.

O primeiro-ministro e homem forte do país, que já foi presidente entre 2000 e 2008, obteve 63,9% dos votos, após a apuração 98,47% das urnas, segundo informações da comissão eleitoral central.

O candidato comunista, Guennadi Ziuganov, recebeu 17,18% dos votos, e o bilionário Mikhail Prokhorov, 7,7%.

A China saudou Putin por sua vitória. A chanceler alemã Angela Merkel ressaltou a necessidade de “modernizar a política”, de acordo com o seu porta-voz.

A Grã-Bretanha indicou que a Rússia precisa respeitar “os princípios e regras-chave da democracia”. Já a União Europeia recomendou que Moscou “reavalie as deficiências” de seu processo eleitoral.

As autoridades russas não reagiram às considerações da OSCE.

“Nós ganhamos em uma luta aberta e honesta”, disse Vladimir Putin aos seus partidários domingo à noite.

O ex-agente da KGB denunciou, em várias ocasiões, as tentativas de ingerência incitadas pelo exterior por intermédio da oposição e de ONGs.

Ele recebeu o apoio do patriarca ortodoxo Kirill, que o nomeou de “líder nacional”, segundo a Interfax.

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Desde domingo, os representantes de alguns candidatos, opositores, organizações russas de observação eleitoral, além de meios de comunicação independentes, afirmaram que haviam identificado várias fraudes.

O site control2012.ru, criado para registrar as infrações detectadas, contabilizou cerca de 6 mil casos de violações da legislação eleitoral nesta segunda-feira.

Foram 132 casos de boca de urna e 329 casos de “transporte massivo de eleitores”, uma técnica que permite a um grupo votar várias vezes em diferentes urnas graças a autorizações fraudulentas.

A Golos afirma que, segundo as suas próprias estimativas, Putin obteve 50,26% dos votos no primeiro turno.

Esta associação, financiada por fundos ocidentais, surgiu para denunciar as fraudes das eleições legislativas de dezembro e afirma dispor de 2.500 correspondentes em todo o país.

As fraudes constadas em dezembro por observadores impulsionaram uma onda de contestação sem precedentes com o lema “A Rússia sem Putin”.

A oposição manteve a convocação para uma grande manifestação nesta noite. Será um momento crucial para o futuro da contestação.

Caso esta iniciativa seja colocada em andamento, irá se chocar com uma mobilização pró-Kremlin, que é organizada neste momento no centro de Moscou.

O Ministério Público advertiu os líderes da contestação. A polícia também indicou que não tolerará atitudes que atentem contra a “ordem pública”.

Em um sinal de apaziguamento, o presidente Dmitri Medvedev disse ter ordenado a verificação da sentença contra o ex-magnata do petróleo, Mikhail Khodorkovsky.

Este último, preso em 2003, está cumprindo uma sentença de 13 anos de prisão em um caso emblemático e amplamente visto como um acerto político de contas, já que ele era um líder muito independente que financiava a oposição.

Medvedev também ordenou a revisão da legitimidade do partido Parnas, uma das principais formações da oposição liberal.

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