🔥 9.9: Assine Revista Impressa + Digital Premium por R$ 32,90/mês. Preço especial só hoje.

Os descontos explosivos no turismo nos países do Golfo que sentem baque da guerra do Irã

Eles oferecem promoções agressivas para atrair visitantes

Por Luiza Zubelli 29 ago 2026, 08h00 | Atualizado em 31 ago 2026, 12h11
Os descontos explosivos no turismo nos países do Golfo que sentem baque da guerra do Irã Priorizar nos meus resultados Google

Depois de décadas e vultosas somas de dinheiro, países como o Catar e os Emirados Árabes Unidos (EAU) se firmaram como destinos turísticos seguros em meio às constantes tensões geopolíticas do explosivo Oriente Médio. Mas aí eclodiu a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, seis meses atrás, e as bases americanas fincadas nesses oásis (ou nem tanto) de estabilidade foram alvejadas, assim como alguns cartões-postais vastamente visitados por lá. É verdade que não houve nenhuma baixa civil, nem o estrago se fez permanente, mas imagens como a do aeroporto de Dubai fechado depois de ataques em nada ajudaram na permanente campanha para atrair gente para aquele naco de deserto abundante em luxo. Ao contrário: o fluxo de forasteiros, que costumava lotar hotéis de formatos exóticos e centros comerciais com direito até a pista de esqui, minguou de uma hora para outra.

Pois de uns tempos para cá, com o conflito ainda sem desfecho, porém sem os bombardeios diários de antes, as engrenagens da indústria turística voltaram a girar. E dá-lhe promoções e pacotes convidativos para que aquelas areias retornem ao mapa dos viajantes. Recentemente, o governo de Dubai, o mais vistoso emirado dos EAU, lançou a campanha Dubai Invite, que agracia com benefícios na casa dos 4 000 reais, entre estadias em hotéis e descontos em restaurantes, os moradores que conseguirem levar para lá parentes e amigos até o fim de outubro. Não se passaram nem 48 horas, e 10 000 dubaienses se inscreveram. Também ali um pacote de sete dias, com passagem aérea e hospedagem incluídas, está saindo na casa de 9 000 reais, 3 000 a menos do que no cenário pré-conflito. No icônico Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo, que abriga um hotel não cinco, mas seis estrelas, as diárias caíram 20% — o mesmo abatimento concedido por grandes redes, como Hilton e Millennium, com unidades espalhadas por todo o Golfo.

ESTÁ BARATO - Liquidação em shopping: preços de outlet
ESTÁ BARATO - Liquidação em shopping: preços de outlet (./Divulgação)

A tesourada nos preços tem o objetivo de reverter a queda na taxa de ocupação dos quartos — de 84% antes da guerra, ela recuou para o atual patamar de 30%, segundo a plataforma CoStar. Já nos shoppings repletos de grifes internacionais, uma mania nacional, as vitrines exibem preços de outlet (26 reais uma calça na Nike). Caminhando para o tradicional mercado de ouro e especiarias, os vendedores se mostram mais maleáveis do que o usual na exaustiva arte da negociação. “Consegui comprar um conjunto de colar e brincos de ouro por cerca de 4 000 reais, bem mais barato do que no Brasil”, conta a corretora de imóveis Pamela Schneider, 27 anos, que acaba de voltar.

Continua após a publicidade

Do ponto de vista de quem está voando estes dias para aqueles lados, há uma vantagem adicional: lugares em que normalmente é preciso fazer fila ou batalhar por espaço andam mais vazios, como o concorrido mercado de Souq Waqif, em Doha, a capital do Catar, e atrações como o museu da Ferrari e a sucursal do Louvre, em Abu Dhabi, saída das arrojadas pranchetas do francês Jean Nouvel. Bom para o turista, ruim para o bolso dos xeiques. Só em Dubai, as aterrissagens internacionais diminuíram 20% diante do fator Irã. De tão baixa a procura, alguns passeios chegaram a ser suspensos, entre eles o que acompanha grupos deserto afora para conhecer acampamentos beduínos e se aventurar em sobrevoos de helicóptero e saltos de paraquedas — tudo recentemente retomado. A exceção é o Burj Al Arab, o famoso hotel em forma de vela localizado em uma das ilhas artificiais de Dubai, fora de atividade desde que foi atingido por um drone. O reparo da fachada acabou antecipando uma reforma já prevista, que deve durar até o ano que vem.

FACILIDADE - Louvre de Abu Dhabi: passeio sem as filas habituais
FACILIDADE - Louvre de Abu Dhabi: passeio sem as filas habituais (IStock/Getty Images)
Continua após a publicidade

Apesar do cenário instável, suscetível às idas e vindas de uma guerra que se estica logo ali ao lado, governos que se apoiam em soft power para conferir modernidade a esse naco do globo (ainda com tantos atrasos no campo dos costumes) tentam emitir sinais de normalidade para mitigar as perdas no setor turístico, vital para o PIB. “Estamos abertos, operantes e seguros”, garante Issam Kazim, CEO da Corporação de Turismo e Marketing Comercial de Dubai, a agência oficial local. Com a guerra em plena marcha, o espaço aéreo nessas bandas do Golfo chegou a ficar por dois meses fechado. Atualmente, 96% das rotas voltaram à ativa, e as companhias, também elas, recorrem a benefícios para injetar ânimo na clientela. Na Qatar Airways e na Emirates Airlines, a possibilidade de reagendar as passagens está liberada, sem custo extra, para todas as classes e cabines. A aviação estatal dos EAU oferece ainda diárias gratuitas e um programa de vantagens que abrange cupons de desconto em restaurantes e casas de shows. Todo esse empenho busca suavizar um prejuízo que, no auge, alcançou a casa dos 600 milhões de dólares por dia na região.

Mesmo cientes dos tremores provocados pelo intrincado xadrez, aos poucos os visitantes começam a reaparecer. “A indústria de viagens do Oriente Médio continua a demonstrar alta resiliência, com uma recuperação que se espera rápida”, aposta Gloria Guevara, presidente e CEO do World Travel & Tourism Council. Mas, como há ainda muitos turistas estrangeiros compreensivelmente ressabiados, uma nova frente foi aberta em Dubai mirando o público interno — as staycations, modalidade que incentiva residentes a se hospedar em spas e resorts para dar uma variada de ares. Os descontos aí giram em torno de 30%, somado a um crédito equivalente a 100% do desembolsado para gastar com comes e bebes. “Moradores passaram inclusive a frequentar locais turísticos para apoiar a economia”, conta Vitória Gimenez, comissária de bordo da Emirates e dona de uma agência de viagens. Entre arranha-céus arrojados e iluminadas vitrines em promoção, a corrida é para reconquistar algo nada trivial nesse belicoso pedaço do planeta: a confiança dos viajantes. Para os que decidem se aventurar por lá, pode ser um negócio das arábias.

Continua após a publicidade

Publicado em VEJA de 28 de agosto de 2026, edição nº 3010

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional da Editora Abril. À esquerda, um selo laranja com CHEGOU O 9.9 e 80% OFF, e um botão APROVEITE A OFERTA AGORA. Ao centro, texto Na Editora Abril os números se alinharam para você ler as melhores revistas do Brasil por um preço simbólico e capas de revistas como Veja, Quatro Rodas, Saúde e Claudia. À direita, uma mulher sorridente com cabelo castanho, vestindo camisa bege, segura um cartão dourado. No canto superior direito, um ícone de árvore e uma faixa laranja diagonal com ASSINATURA LEIA 15 MARCAS
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA 9.9

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$5,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).