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Os desafios colombianos

“O novo governo precisa gerar empregos e diminuir a desigualdade na distribuição de renda. Na política externa, estamos avançando na relação com a América do Sul”

Jorge Humberto Botero é economista e político colombiano. Ele foi chefe de campanha do ex-presidente Álvaro Uribe e ministro de Comércio, Indústria e Turismo. Ficou no cargo até janeiro de 2007 e foi nomeado representante da Colômbia no Banco Mundial. Botero é otimista quanto à retomada com Chávez, e vê um movimento de aproximação também com outros países da região, como Equador, Peru e Chile. “A Venezuela é um mercado importante”, destaca. Ele também vê um bom momento para a Colômbia, de crescimento importante de investimentos.

O que a Colômbia vai ganhar, em termos econômicos, com a retomada das relações com a Venezuela?

O restabelecimento das relações diplomáticas é uma boa notícia para a Colômbia e para a Venezuela por várias razões. Primeiro porque a fronteira é muito viva, há um intercâmbio humano permanente, pessoas vão e vêm o tempo todo. Há atividades econômicas relativas ao câmbio e à integração econômica dos dois lados da fronteira, é muito bom para o comércio fronteiriço. Em segundo lugar, é conveniente por razões de ordem econômica. Para a Venezuela, a Colômbia é um provedor de bens básicos, incluindo produtos importantes e difíceis de serem substituídos. É muito difícil substituir este comércio de alguns produtos pelo comércio com o Brasil ou Argentina por fatores logísticos, de preço e de falta de conhecimento detalhado sobre a oferta e a demanda. Não é fácil substituir vínculos construídos há muito tempo. A Colômbia também tem na Venezuela um mercado muito importante. O rompimento fechou este mercado. O restabelecimento é bom para os dois.

Nas cidades de fronteira, como Cúcuta, por exemplo, o retorno das atividades é imediato após o anúncio do restabelecimento das relações?

Acredito que sim porque a ruptura foi muito curta e os vínculos entre os dois países não se perderam. São vínculos muito profundos. Mas não dá para esperar que haja um fluxo igual ao de antes porque a economia venezuelana está muito mal e o país quebrado.

Quais são as principais questões econômicas para o novo governo?

Há três grandes pontos: como gerar empregos, como gerar empregos formais (cerca de 56% da população colombiana trabalha na informalidade) e diminuir a desigualdade na distribuição de renda no país. Com relação à política externa, a nova administração está avançando na relação com o Equador e no conjunto das relações na América do Sul. Os vínculos econômicos com o Brasil são pobres no que se refere ao comércio. Há um crescimento importante de investimentos na Colômbia e isso pode aumentar. Os investimentos colombianos no Equador, Peru, Chile e agora na Venezuela devem ficar melhores. Mas, em relação à Argentina, não vejo nada muito promissor.