Os brasileiros à frente de um dos 100 melhores lugares para se comer nos EUA
Vagner de Carlin e Carlos Ribeiro de Castro são proprietários do Bulegreen, com sede em Miami
Aparentemente pode parecer apenas um food truck com mesas e cadeiras, além de uma cozinha e uma área coberta que se estende por um largo gramado de um bucólico bairro de Miami, meio distante do centro agitado das avenidas badaladas próximas à praia. Mas o Bulegreen é mais que isso. Com capacidade para atender ao mesmo tempo 120 pessoas, com uma média de 700 por dia, tem faturado uma média de 1,4 milhão de dólares por ano, apenas servindo brunch de uma forma diferente do habitual em terras americanas. Ao contrário de todos os outros cafés que abrem para o mesmo serviço apenas aos finais de semana, esse é diário. À frente, o casal Vagner de Carlin, 43 anos, e Carlos Ribeiro, 50. Ali o café é mineiro, mas o pão de queijo é adaptado ao que se encontra nas gondolas dos supermercados locais. Vagner conversou com a coluna GENTE sobre a trajetória que fez do empreendimento, que já tem franquias abertas por lá, ser escolhido pela Forbes como um dos 100 melhores lugares para se comer nos Estados Unidos.
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VEIA EMPREENDEDORA. “A gente começou a empreitada em 2017. Sempre tivemos vontade de ter alguma coisa. Brasileiro gosta de empreender, de fazer e acontecer. Carlos trabalha na companhia aérea América Airlines há muitos anos. Quando cheguei aqui, fui trabalhar em restaurante. Comecei lavando prato, fazendo o que todo mundo faz. Vim sem grandes condições financeiras. No Brasil, trabalhava na área de fotografia e design. Aqui comecei do zero. Trabalhava muito, de segunda a segunda sem folga, cheguei a ficar seis meses assim, trabalhando dois turnos dobrados. Quando você vem para cá, vem com um objetivo: quer vencer”.
DE PIZZA A CAFÉ. “Carlos também sempre teve veia empreendedora, trabalhou nesse ramo muito tempo antes, foi pizzaiolo em Nova York quando chegou aqui 30 anos atrás. Foi pizzaiolo bem conhecido, fez pizza para Calvin Klein e Mariah Carey. Depois entrou na companhia aérea. E daí surgiu a ideia da gente abrir algo para ter independência. Veio a ideia de um café. Quando começamos, nosso conceito era servir brunch todos os dias. E americano achava que brunch era só sábado e domingo, das 11 horas à 1 hora da tarde, e acabou. A gente triplicou de tamanho desde a pandemia”.
DIFICULDADES INICIAIS. “A gente tinha um budget de 30.000 dólares para abrir a loja. E na nossa cabeça, seria o suficiente para pintar o prédio, comprar umas coisinhas, botar um ou outro equipamento, só que não. Depois a gente descobriu que era preciso contratar um engenheiro, um arquiteto, ter um projeto, tinha que passar por reuniões na prefeitura com vários departamentos. Aprendi inglês com muita dificuldade. Desde então, já fomos chamados na prefeitura inúmeras vezes para receber plaquinha, honraria, prêmio. Depois a gente saiu na Forbes como um dos 100 melhores lugares para se comer nos Estados Unidos. A gente sempre gostou de receber as pessoas na nossa casa… E elas sempre elogiaram. Acho que é essa a essencial daqui”.
GOVERNO TRUMP. “A primeira administração dele foi completamente diferente, teve prosperidade maior, crescimento da economia. Agora por causa de toda a política de tarifas, teve aumento de muitos produtos. O ovo, por exemplo, é um dos nossos carros chefes aqui, a gente serve 1.000 ovos por semana. E foi um dos itens que mais inflacionaram. Teve semanas de triplicar o preço e não poder passar ao cliente. O café que vem do Brasil, sofreu tarifação de mais de 50%. A última vez que a gente fez um reajuste no valor do cardápio foi no ano passado. A gente assume esse prejuízo, diminui a margem de lucro e tem que ser criativo com outras coisas. Tem que fazer essa dança, como todo empreendedor, porque se repassar tudo para o cliente, o restaurante fica vazio”.







