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Opositores sírios esperam observadores com desconfiança

Por Ashraf Shazly 22 dez 2011, 15h00

Enquanto a missão encarregada de preparar a chegada de observadores da Liga Árabe era esperada na Síria nesta quinta-feira, atos de violência deixaram, segundo militantes de direitos humanos, 21 mortos, entre eles, 14 civis.

Os membros da delegação dirigida por Samir Seif al-Yazal, um alto responsável da Liga Árabe, tem por missão solucionar os problemas logísticos e de organização do primeiro grupo de 30 a 50 observadores que deve chegar no domingo.

O efetivo deve aumentar para um total de 150 a 200 observadores, todos especialistas civis ou militares árabes, que trabalharão dirigidos pelo general sudanês Mohammed Ahmed Mustafá al-Dabi, envolvido na guerra civil Norte-Sul e na guerra de Darfur.

As autoridades sírias estimam ter havido melhoras a respeito do protocolo inicial que, segundo elas, “não levava em conta a segurança nacional” do país.

Os militares que há nove meses contestam o regime de al-Assad estão particularmente decepcionados. Em sua página no Facebook “Revolução Síria 2011”, incentivam manifestações contra o que chamam de “o protocolo da morte”, que para eles é “uma permissão para matar”.

Segundo o texto assinado na segunda-feira, no Cairo, os observadores deverão “garantir o fim de todos os atos de violência, venham de onde vierem”, “impedir as forças de segurança, os chabbiha (milícias partidárias do regime) e gangues de interferir nas manifestações pacíficas” e “garantir a liberação dos detidos presos por conta da crise atual”.

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“Deverão também obter as supressão de todas as incursões armadas em cidades e bairros onde as manifestações aconteceram” e atuar para que o “governo autorize os meios de comunicação árabes e internacionais a entrar e deslocar-se por toda a Síria sem interferência”.

A missão tem “a liberdade de contatar organizações humanitárias, responsáveis governamentais, indivíduos e vítimas da crise atual” e tem uma “liberdade de movimento e comunicação no âmbito da proteção dos civis, em coordenação com o governo sírio”. Também poderá “visitar prisões, lugares de detenção, postos de polícia e hospitais”.

Para a oposição, é a ONU que deve se encarregar do caso sírio. “Pedimos à Liga Árabe para transferir a questão da crise na Síria ao Conselho de Segurança da ONU”, afirmou à AFP, Omara Edelbi, porta-voz dos Comitês Locais de Coordenação, que dirigem os protestos em terra.

Para Edelbi, a missão de observadores é só uma “nova tentativa do regime para evitar a iniciativa árabe e despojá-la de seu conteúdo”.

Pelo menos 21 pessoas morreram nesta quinta-feira na Síria, entre elas 14 civis, no mesmo dia em que se esperava a chegada da primeira equipe de observadores da Liga Árabe, denunciou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Na ONU, a França disse esperar um “avanço determinante” na reunião entre os membros do Conselho de Segurança em Nova York sobre a Síria.

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