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Opositores pedem à Liga Árabe que vá a Homs

Por Louai Beshara 25 dez 2011, 10h57

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal movimento de oposição do país, pediu neste domingo à Liga Árabe que envie seus observadores à cidade de Homs (centro), um dos focos da mobilização contra o regime do presidente Bashar al Assad.

Em Homs, terceira cidade do país, 160 km ao norte de Damasco, são registrados há dias enfrentamentos sangrentos entre o exército e desertores.

“Esta manhã, o bairro de Baba Amro (de Homs) estava cercado e sob a ameaça de uma invasão militar com 4.000 soldados”, informou o CNS em um comunicado recebido pela AFP em Nicósia.

“Isto se soma ao bombardeio contínuo que dura dias em Homs”, acrescentou a fonte.

Segundo o texto, o CNS pediu aos observadores da Liga Árabe que “vão imediatamente a Homs, sobretudo aos bairros cercados, para completar sua missão”.

O conselho exigiu aos especialistas que vão igualmente a “todos os pontos de agitação na Síria ou (…) que terminem sua missão se não puderem executá-la”.

“Consideramos a Liga Árabe e a comunidade internacional responsáveis pelos massacres e pelo sangue derramado pelo regime” de Al Assad, acrescentou o CNS.

O papa Bento XVI pediu neste domingo, em sua mensagem natalina ‘Urbi et Orbi’ (à cidade e ao mundo), o “fim da violência na Síria, onde já se derramou tanto sangue”, convocando “todos os setores da sociedade nos países” árabes, sacudidos por mudanças sociais e políticas, a participarem da “construção do bem comum”.

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O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) pediu no sábado à equipe de observadores da Liga Árabe que se deslocasse “imediatamente” para Homs, após a morte, no mesmo dia, de quatro civis que apresentavam “sinais de tortura”.

As autoridades sírias qualificaram como “positivo” o encontro, no sábado, entre o ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Mualem, e a primeira missão de observadores, que chegou na quinta-feira a Damasco para preparar o trabalho que deve realizar.

Segundo o chefe da delegação, Samir Saif al Yazal, vice-secretário-geral da Liga Árabe, a missão será composta de “mais de 50 especialistas árabes de vários campos, sobretudo do mundo político, dos direitos humanos e militar”.

O vice-ministro da diplomacia síria, Faysal al Maqdad, assinou na segunda-feira, no Cairo, um documento árabe para proteção dos civis, que previa a mobilização dos observadores.

Segundo estimativas da ONU, mais de 5.000 pessoas perderam a vida desde o início da repressão à revolta contra o governo sírio, em meados de março.

Para o regime de Damasco, atrás dos atos de violência, há “grupos armados”.

No sábado, milhares de pessoas participaram dos funerais das 44 vítimas dos atentados da véspera, praticados, segundo autoridades sírias, pela Al Qaeda, enquanto a Irmandade Muçulmana acusou diretamente Damasco da autoria “para desviar a atenção (dos observadores árabes) das manifestações semanais”.

A Irmandade Muçulmana também acusou o regime sírio de ter divulgado um comunicado reivindicando os atentados em seu nome.

Segundo o OSDH, 20 civis morreram no sábado em todo o país.

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