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Opositor Moncef Marzuki é eleito presidente da Tunísia

Moncef Marzuki, médico e forte líder opositor ao regime de Ben Ali, foi eleito nesta segunda-feira presidente da República da Tunísia pela Assembleia Nacional Constituinte surgida nas eleições de 23 de outubro, primeira eleição livre da História do país.

Marzuki, 66 anos, dirigente do Congresso pela República (CPR, esquerda nacionalista), foi eleito por 153 votos a favor, três contra, duas abstenções e 44 em branco dos 202 membros da Assembleia presentes, de um total de 217.

Onze meses depois da queda de Zine El Abidine Ben Ali, retirado do poder por uma revolta popular que deu nascimento à “primavera árabe”, Marzuki disse à AFP que é uma “honra formidável” tornar-se presidente da “primeira república árabe livre”.

Inimigo do presidente derrocado, esse defensor dos direitos humanos tomará posse na terça-feira no palácio presidencial de Cartago, antes de prestar juramento sobre o Alcorão diante da Constituinte.

A primeira missão de quem foi opositor do derrocado regime de Ben Ali será designar o chefe de governo, ao que tudo indica o islamita Hamadi Jebali.

“Este dia é memorável, viva a Tunísia, do fundo do meu coração”, disse o eleito, considerando-se “orgulhoso de ter sobre si a mais apreciada das responsabilidades, servir ao povo, ao Estado e à revolução”.

Marzuki é conhecido por sua intransigência e seu talento na tribuna, e criticado por sua aliança com os islamitas do Ennahda que formarão governo.

Ao assumir o cargo, Marzuki deverá renunciar a qualquer responsabilidade em seu partido.

Sutil e com tática refinada, esse opositor histórico de Ben Ali, que viveu 10 anos no exílio na França, realizará desta forma seu sonho. Marzuki tinha anunciado sua candidatura à presidência da República três dias depois da queda, em janeiro, do ex-dirigente.

Os 44 constituintes que votaram em branco o fizeram para expressar sua oposição aos poderes excessivos dados ao primeiro-ministro islamita, em detrimento dos do presidente, disse à AFP Samir Bettaieb, do Polo Democrático modernista (PDM, esquerda).

Nove candidatos à presidência que não cumpriam os critérios exigidos foram descartados da votação.

A cermiônia de troca de comando com o presidente interino, Fuad Mebazaa, que dirigiu a Tunísia desde a queda de Ben Ali, ocorrerá na terça-feira no palácio presidencial de Cartago, no subúrbio norte de Túnis.