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Opositor de Putin é transferido da prisão para hospital na Rússia

Alexei Navalny entrou em um greve de fome há três semanas. Seus advogados dizem que ele está doente, em meio a um surto de tuberculose em sua cela

Por Julia Braun Atualizado em 19 abr 2021, 10h26 - Publicado em 19 abr 2021, 10h21

Alexei Navalny, principal opositor do presidente russo Vladimir Putin, foi transferido de sua cela para um hospital dedicado à população carcerária nesta segunda-feira, 19. Navalny está preso desde janeiro e entrou em um greve de fome há três semanas. Seus advogados dizem que ele está gravemente doente, em meio a um surto de tuberculose em sua cela.

O governo russo, porém, não detalhou as razões para a transferência. As autoridades locais se limitaram a dizer que o estado de saúde do detento é “satisfatório” e que ele é acompanhado diariamente por um médico.

“Uma comissão de médicos (…) decidiu pela transferência de A. Navalny para uma unidade hospitalar para os condenados que fica no complexo da colônia penitenciária Nº 3”, afirmou o serviço penitenciário em um comunicado.

“O estado de saúde de Navalny é considerado satisfatório atualmente. Ele é examinado diariamente por um médico terapeuta”, completa o texto. Também de acordo com o serviço penitenciário, “com o consentimento do paciente, foi prescrita uma terapia de vitaminas”.

Durante o final de semana, amigos e médicos de Navalny alertam que ele pode ter uma parada cardíaca “a qualquer momento”, já que não se alimenta há três semanas. No início do mês sua advogada já havia dito que ele estava“gravemente doente”, com uma forte tosse e febre alta. A equipe do ativista chegou ainda a afirmar que três dos quinze detentos que dividem a cela com ele estão recebendo tratamento para tuberculose

O advogado e ativista iniciou a greve de fome em 31 de março, alegando não receber tratamento médico apropriado para suas dores nas costas e pernas. Em publicação em sua conta no Instagram, ele ainda se queixou da recusa das autoridades prisionais na entrega de remédios e em permitir visitas de seu médico.

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Navalny disse que o serviço penitenciário ameaça colocá-lo em uma camisa de força para obrigá-lo a se alimentar. Já o governo russo o acusa de exagerar sua condição médica para chamar atenção.

O estado de saúde de Navalny ainda gera grande preocupação porque ele sobreviveu há menos de um ano a um envenenamento por uma substância neurotóxica. Após a tentativa de assassinato, atribuída pelos apoioadores do ativista ao presidente Vladimir Putin, o advogado recebeu tratamento por meses na Alemanha. Em janeiro, quando retornou à Rússia, foi preso e condenado a 2 anos e oito meses de detenção por supostamente violar a liberdade condicional de uma condenação prévia.

Pressão internacional e protestos

Desde o início, o caso de Navalny atrai grande interesse da comunidade internacional. No domingo 18, Jake Sullivan, o assessor de segurança nacional dos Estados Unidos, disse que “haverá consequências” se Navalny morrer na prisão.

Os ministros de relações exteriores dos países da União Europeia devem discutir o caso também. Josep Borrell, o principal diplomata do bloco, afirmou que a situação é muito preocupante, e que a Rússia deve providenciar tratamento. “Nós consideramos as autoridades russas as responsáveis pela situação de saúde do senhor Navalny”, ele afirmou em um vídeo.

Diante dos últimos acontecimentos, aliados do principal crítico do Kremlin convocaram os russos a irem às ruas em 21 de abril para “salvar a vida” do opositor. O ministério do Interior da Rússia, porém, advertiu contra qualquer participação nas manifestações não autorizadas de apoio a Navalny.

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