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Opositor de Putin é assassinado a tiros no centro de Moscou

Ex-ministro de Ieltsin, Boris Nemtsov foi alvo de atirador perto do Kremlin

Por Da Redação - 27 fev 2015, 19h43

(Atualizado às 20h29)

Boris Nemtsov, um notório político anti-Putin, foi assassinado no centro de Moscou nesta sexta-feira. Ele foi atingido pelas costas por uma pessoa que estava em um carro que fugiu do local, informou a agência Interfax. O atirador disparou quatro vezes contra a vítima, que caminhava perto do Kremlin, acompanhado por uma mulher. Recentemente, ele havia revelado preocupação de que o presidente ordenasse sua morte devido às críticas ao envolvimento no conflito na Ucrânia.

Já nas primeiras horas de sábado, pelo horário local, Putin condenou o assassinato, segundo informação divulgada pela emissora estatal Russia Today. O autocrata determinou que a investigação será comandada pelas agências de segurança. Ele acrescentou que o assassinato teria sido encomendado como uma “provocação” na véspera de um grande protesto contra a crise na Ucrânia, onde separatistas apoiados por Moscou têm dominado parte do território.

O político de 55 anos foi vice-primeiro-ministro na administração de Boris Ieltsin nos anos 1990. Atualmente, ele era deputado pela região de Yaroslavl e copresidia o partido liberal RPR. “Que um líder da oposição possa ser baleado sob os muros do Kremlin é algo que está além da imaginação. Só pode haver uma versão para isso: ele foi morto por dizer a verdade”, disse a jornalistas outro líder opositor, Mikhail Kasyanov, em declaração reproduzida pela agência Reuters.

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Em 2012, Nemtsov divulgou um relatório sobre a vida nababesca do presidente russo. O documento listava os itens luxuosos à disposição de Putin: vinte palácios e mansões, 58 aviões e helicópteros e quatro barcos. À revista VEJA, o opositor disse ter começado a fazer o levantamento ao perceber, em fotos de jornal, que Putin troca de relógio de luxo como quem troca de meia. “Na Rússia, o relógio é um dos maiores símbolos de status masculino. Trata-se de uma herança dos tempos soviéticos, quando esse acessório era o único que a elite nacional podia ostentar”.

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O opositor foi detido várias vezes por se posicionar contra o Kremlin. A prisão mais recente ocorreu em 2011, quando ele protestou contra os resultados das eleições parlamentares, e em 2012, quando dezenas de milhares de pessoas foram às ruas contra Putin.

Em uma entrevista concedida à rede americana CNN no ano passado, ele lamentou a situação dos empresários no país. “Este é o país da corrupção. Se você tem um negócio, está em uma situação muito insegura. Todos podem pressionar você e destruir sua empresa”.

Ele também esboçou uma nota de esperança sobre o futuro da Rússia. “Este é o meu país. O povo russo está em dificuldade. A Justiça russa não funciona. A educação piora a cada ano. Mas eu acredito que a Rússia tem uma chance de ser livre. É difícil, mas devemos conseguir isso”.

Russo Boris Nemtsov fala com jornalistas durante encontro de partidos de oposição em Moscou, em março de 2012
Russo Boris Nemtsov fala com jornalistas durante encontro de partidos de oposição em Moscou, em março de 2012 VEJA

(Da redação)

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