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Oposição: veto na ONU dá ‘licença para matar’ ao regime

Pelo menos 321 pessoas morreram somente nos últimos dois dias em Homs

Por Da Redação 5 fev 2012, 08h44

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne as principais alas da oposição, afirmou neste domingo que o veto de Rússia e China a uma resolução na ONU que condenava a repressão na Síria dá ao regime de Bashar Assad uma “licença para matar com impunidade”. O veto na ONU provocou a fúria de ativistas de oposição na Síria, que convocaram protestos contra a sangrenta repressão do regime após a morte de pelo menos 321 civis nos últimos dois dias somente na cidade de Homs, bastião dos opositores.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.000 pessoas no país, de acordo com a ONU, que vai investigar denúncias de crimes contra a humanidade no país.
  3. • Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a fronteira e foram buscar refúgio na vizinha Turquia.

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“O CNS condena energicamente o veto imposto por Moscou e Pequim ao projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU e considera esta decisão irresponsável como uma autorização ao regime sírio para matar com impunidade”, afirma um comunicado.

O jornal oficial sírio Teshrin, no entanto, celebrou o veto de Rússia e China, ao afirmar que a decisão é um “estímulo que permitirá à Síria acelerar as reformas: a organização de um referendo sobre a nova Constituição e eleições legislativas pluralistas, assim como a formação de um governo ampliado que inclua correntes opositoras”. “O veto chinês e russo também pode estimular alguns países a revisar suas posições sobre a crise na Síria e demonstrar, mais uma vez, que apenas a Síria pode resolver politicamente esta crise, longe de qualquer interferência externa”, completa.

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Além da violência em Homs, classificada pelo CNS como “um dos mais horríveis massacres desde o começo da revolta síria”, no sábado outras 10 pessoas morreram em Iblib e outras 19 em um subúrbio de Damasco, e seis soldados desertores também morreram nos confrontos. No domingo, nove militares morreram em confrontos com desertores no noroeste do país.

Rússia – Enquanto isso, a Rússia afirmou neste domingo que os países ocidentais são responsáveis pelo fracasso da votação da resolução. “Em Moscou, lamentamos que os autores do projeto de resolução sobre a Síria não tenham desejado fazer os esforços adicionais necessários para alcançar um consenso”, declarou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Guennadi Gatilov.

Contudo, a reação da comunidade internacional foi dura. Treze dos 15 países do Conselho votaram a favor do projeto proposto pelos países árabes e europeus, que apoiam um plano da Liga Árabe para assegurar uma transição para a democracia na Síria e que denuncia as “contínuas violações dos direitos humanos” cometidas pelo regime de Assad.

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, acusou a Rússia e a China de terem “abandonado” o povo sírio e encorajar a brutal repressão do regime de Assad. Já o embaixador francês na ONU, Gérard Araud, falou em um “dia triste para o Conselho, para os sírios e para os amigos da democracia”.

Ataques – Neste domingo, o primeiro-ministro tunisiano, Hamadi Jebali, defendeu que todos os países expulsem os embaixadores da Síria como medida de protesto pela violenta repressão do regime de Assad. Na Austrália, a embaixada da Síria foi atacada e saqueada por manifestantes, informou a polícia de Canberra. No sábado, as embaixadas sírias em Atenas, Berlim, Cairo, Kuwait e Londres também foram atacadas, após as informações do massacre de 321 pessoas em Homs.

(Com agência France-Presse)

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