Oposição ucraniana põe 70 mil nas ruas de Kiev

Manifestação pede a saída do presidente e a formação de um novo governo

Por Da Redação - 9 fev 2014, 15h03

A oposição ucraniana mobilizou neste domingo em Kiev mais de 70.000 manifestantes contra o presidente Viktor Yanukovich, que enfrenta agora um delicado dilema com a formação de um novo governo, muito esperado pela Rússia e pelo Ocidente. “Não temos a intenção de nos render. Iremos mais longe”, proclamou em alto-falantes da Praça de Independência o militante Dimytro Bulatov, cuja foto com o rosto desfigurado pelas torturas rodou o mundo. O opositor se dirigiu aos manifestantes por telefone a partir da Lituânia, onde está hospitalizado.

Um dos líderes da oposição, o ex-boxeador Vitali Klitschho, desafiou o presidente a se dirigir à praça “para ouvir o que o povo diz sobre ele”. Klitschko convocou os ucranianos a realizar uma greve geral de uma hora na próxima quinta-feira às 11h00 (07h00 de Brasília) e a sair às ruas com a bandeira nacional. Exaltado, Klitscho acrescentou diante da multidão que o governo de Yanukovich “não poderá nos destruir. Seguiremos lutando”. O ex-boxeador convidou os manifestantes a se inscrever nas unidades de autodefesa criadas em diferentes pontos do país e seguir o lema “sou ucraniano e não tenho medo”.

Leia também

Diplomata americana se desculpa por xingar UE

Publicidade

​Kerry declara apoio dos EUA aos protestos da Ucrânia

“As pessoas têm que seguir nas ruas até o fim, do contrário teremos represálias. E a oposição tem que estar mais decidida, não se limitar aos discursos das tribunas. Precisamos de uma eleição presidencial antecipada e de uma nova Constituição”, declarou Anna Rebenok, uma jovem secretária que foi protestar. O influente empresário e deputado independente Petro Poroshenko afirmou que 392 manifestantes detidos nos confrontos recentes com a polícia foram libertados e que 49 seguiam presos. A libertação destes militantes é uma das exigências dos opositores.

À espera de um novo governo – Rússia, de um lado, e União Europeia (UE) e Estados Unidos, que mantêm uma disputa de influências na orientação estratégica da Ucrânia, esperam a nomeação de um novo primeiro-ministro após a renúncia de Nikolai Azarov e seu gabinete no dia 28 de janeiro. A decisão se anuncia difícil para Yanukovich, muito pressionado pela Rússia, mas também pela UE e pelos Estados Unidos, que ofereceram ajuda econômica.

Moscou ofereceu à Ucrânia uma ajuda financeira de 15 bilhões de dólares e uma redução do preço de seu gás em um terço, depois que Yanukovich rejeitou em novembro assinar um acordo de associação com a União Europeia para se aproximar da Rússia. O presidente ucraniano se reuniu com seu colega russo, Vladimir Putin, em um esperadíssimo encontro na noite de sexta-feira em Sochi, onde são realizados os Jogos Olímpicos de Inverno. No entanto, até o momento nenhum aspecto da conversa foi divulgado.

Publicidade

Saiba mais

​Por que UE e Rússia querem tanto a Ucrânia?

Ucrânia, um país com um histórico de tragédias

A Rússia, que já entregou uma pequena parte de sua ajuda econômica, advertiu que a concessão do restante dependerá da escolha do novo governo ucraniano. Parece pouco provável que Yanukovich possa encontrar um candidato aceitável ao mesmo tempo para a Rússia e para os ocidentais, que exigem um governo técnico de unidade nacional, onde a oposição pró-europeia tenha um peso real.

Publicidade

A oposição exige, em primeiro lugar, uma reforma constitucional para voltar à Carta Magna de 2004, que reduziu os poderes presidenciais em favor do Parlamento e do governo. O presidente diz que está disposto a dialogar sobre uma reforma constitucional, mas propõe a elaboração de um novo texto que pode levar vários meses. A oposição rejeita esta última opção, por considerar que se trata de uma estratégia para ganhar tempo.

(Com agência France-Presse)

Publicidade