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Oposição toma ruas de Caracas a uma semana da eleição

Comício de encerramento da campanha de Henrique Capriles, primeiro rival com chances reais de derrotar Hugo Chávez, atraiu mais de 100.000 pessoas

Primeiro adversário com chances reais de derrotar o coronel Hugo Chávez na disputa pela Presidência da Venezuela, o candidato da coalizão opositora, Henrique Capriles, atraiu uma multidão calculada em mais de 100.000 pessoas no comício de encerramento da sua campanha, neste domingo, na capital Caracas. A uma semana das eleições, programadas para o próximo domingo, Capriles pediu aos venezuelanos para apostar na mudança e, após 14 anos, tirar o chavismo do poder.

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“Hoje Caracas está vestida de futuro, de progresso”, disse Capriles ao iniciar seu discurso no palanque instalado no final da avenida Bolívar, a poucas quadras do palácio presidencial de Miraflores. “Acredito que esta é sem dúvida a maior concentração de pessoas que já se reuniu na história de Caracas, quero agradecer a vocês”, completou.

Portando bandeiras com as cores da Venezuela – azual, amarelo e vermelho -, a multidão gritava “Se vê, se sente, Capriles presidente!”. “Olha essa onda de gente, agora sim Chávez se ferrou”, comentou um eleitor do ex-governador do populoso estado de Miranda, no norte do país. “Por que (Chávez) vai ser presidente a vida toda? Não seja egoísta”, brincou. Antonio Barrios, um maceneiro de 54 anos, disse pensar da mesma forma: “Já são 14 anos e não podemos ficar com o mesmo presidente, tem que vir outra pessoa”.

Pesquisas – O sentimento de Barrios, de que chegou a hora do presidente-coronel deixar o poder, nunca esteve tão presente na Venezuela. Todas as pesquisas eleitorais revelam uma tendência clara: Capriles, de 40 anos, avançou sobre a vantagem inicial atribuída a Chávez e, em ao menos uma enquete, já aparece à frente do caudilho.

Segundo o instituto Datanálisis, Chávez aparece com 49,4% das intenções de voto, contra 39% de Capriles – mas o candidato da oposição reduziu a vantagem de 20,4 para 10,4 pontos porcentuais entre maio e setembro. Outra pesquisa, do instituto Varianzas, mostra uma diferença ainda menor: 49,7% para Chávez e 47,7% para Capriles. Já uma enquete do Consultores 21 mostra o candidato da oposição à frente, com 47,7% dos votos, enquanto Chávez teria 45,9%.

A grande aposta de Capriles está no número de indecisos, que um dos levantamentos apontou em 11,6%. No comício deste domingo, o candidato da oposição pediu a eles para fazerem um balanço da gestão de Chávez, que busca ser reeleito para o terceiro mandato, e lembrou que o governo não conseguiu resolver o flagelo da violência que afeta os venezuelanos diariamente.

“Eu digo ao povo da Venezuela, julguem quem está no processo de mudança e quem está doente de poder, está em Miraflores e desiludiu o povo venezuelano”, disse. Capriles ainda leu uma lista do que considera como promessas não cumpridas e de projetos no exterior financiados com o dinheiro dado por Chávez a outros governos. Um das críticas do candidato foi ao patrocínio de Chávez ao desfile da escola de samba Vila Isabel no carnaval de 2006.

A PDVSA, estatal petrolífera, pagou um milhão de reais à escola, que levou à avenida um escultura gigante de Simón Bolívar, herói da independência venezuelana cuja imagem é explorada por Chávez. “Aos que hoje ainda acreditam neste projeto de governo, mas sabem que as coisas não vão bem, eu lhes peço, a uma semana do dia mais importante em nosso país, que cada um faça seu balanço”, insistiu Capriles.

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Avenida Bolívar, em Caracas, foi tomada por milhares de pessoas em comício da oposição Avenida Bolívar, em Caracas, foi tomada por milhares de pessoas em comício da oposição

Avenida Bolívar, em Caracas, foi tomada por milhares de pessoas em comício da oposição (/)

Mortes – A campanha na Venezuela teve neste final de semana seu episódio mais violento. No sábado, homens armados mataram dois militantes pró-Capriles no estado de Barinas. Testemunhas afirmam que os disparos deixaram uma terceira vítima, mas seu nome não foi divulgado. O partido de Capriles, o Primeiro Justiça, disse que os agressores haviam disparado a partir de uma van, que testemunhas identificaram como pertencentes a uma instituição do estado, depois de partidários de Chávez bloquearem uma carreata da oposição. O governo não confirmou essa versão, mas prometeu uma investigação sobre o que chamou de incidente isolado.

Capriles pediu justiça para os responsáveis pelo crime. “Ontem (sábado), infelizmente, a violência tomou vidas. Algo assim nunca deve acontecer”, disse o candidato no comício. “Eu quero dizer a suas famílias que estamos caminhando para vencer a violência no dia 7 de outubro (data da eleição venezuelana)”. Quase 19 milhões de eleitores estão convocados para eleger o novo presidente do país, que governará pelos próximos seis anos.

O candidato Henrique Capriles discursa para a multidão: críticas à falta de segurança pública O candidato Henrique Capriles discursa para a multidão: críticas à falta de segurança pública

O candidato Henrique Capriles discursa para a multidão: críticas à falta de segurança pública (/)

(Com agência France-Presse)