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Oposição síria: texto da ONU permite repressão contínua

Por Da Redação 22 mar 2012, 08h57

O opositor Conselho Nacional Sírio (CNS) lamentou nesta quinta-feira que a declaração adotada na véspera pelo Conselho de Segurança da ONU, alegando que ela não recrimina a repressão desencadeada pelo ditador sírio Bashar Assad contra os civis. O Conselho de Segurança aprovou na quarta-feira uma declaração na qual convoca a Síria a aplicar imediatamente o plano de paz proposto pelas Nações Unidas e pela Liga Árabe, formulando uma advertência velada sobre eventuais medidas internacionais.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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“Esse tipo de declaração, em meio a contínuas matanças, dá ao regime a oportunidade de prosseguir com a repressão para arrasar a revolta do povo sírio”, afirmou Samir Nashar, do comitê executivo do CNS. “É hora de o Conselho de Segurança da ONU usar seus poderes para frear os massacres. Não há modo algum de chegar a um compromisso com o regime Assad”, enfatizou.

Após intensas negociações entre as potências, Rússia e China aprovaram uma proposta redigida pelos países ocidentais que pede a Assad, que atue para pôr um fim às hostilidades e por uma transição democrática. O Conselho “convoca o governo e a oposição da Síria a trabalharem de boa fé com o enviado sobre um acordo de paz na crise síria e a implementar de forma completa e imediata sua proposta inicial de seis pontos”.

Violência – Enquanto isso, os choques entre o Exército sírio e os soldados desertores causaram nesta quarta-feira a morte de 41 pessoas na Síria, incluindo 33 civis, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Durante a tarde, os confrontos entre integrantes do Exército regular e desertores do Exército Sírio Livre (ESL) foram retomados em Harasta, a 10 quilômetros de Damasco, informaram ativistas dos Comitês Locais de Coordenação (LCC), que apoiam a revolta.

O exército bombardeou na quarta-feira pelo segundo dia consecutivo o bairro de Jaldiyé em Homs, no centro da Síria, onde ao menos oito civis morreram, segundo o OSDH. Nessa cidade, 15 civis morreram, dos quais três crianças, por disparos das forças de segurança e bombardeios do exército em vários bairros, completou a mesma fonte. Seis civis morreram no bairro de Baalbeh. Na província de Homs, quatro civis morreram em Talbisse.

Um soldado do exército regular morreu em Qalaat al Madiq, na província de Hama, onde as tropas ingressaram depois de um ataque com foguetes e metralhadoras, segundo o OSDH. Em Hama, três crianças foram mortas a tiros, e um desertor que pertencia ao ESL perdeu a vida em um choque com soldados no bairro de Hamidiyé.

(Com agência France-Presse)

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