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Oposição síria evidencia suas diferenças após tentar uma estratégia comum

Por Da Redação 1 jan 2012, 16h47

Cairo, 1 jan (EFE).- Os principais grupos da oposição síria, o Conselho Nacional Sírio (CNS) e a Instância de Coordenação Nacional (ICN), evidenciaram neste domingo as diferenças que os separam para elaborar uma estratégia comum que acabe com o regime de Bashar al Assad.

A ICN, que representa a chamada ‘oposição interna’, divulgou no sábado um documento que continha um suposto acordo assinado pelos dois grupos para traçar o caminho rumo à transição, uma vez que al Assad tenha deixado o poder.

No entanto, as diferenças em aspectos como uma possível intervenção armada estrangeira, a aposta exclusiva por vias pacíficas, ou a organização das forças opositoras levantaram um obstáculo que complica a unidade de ação.

Estas divergências se tornam mais dilacerantes ao constatar que a repressão não para (neste domingo morreram pelo menos nove pessoas segundo a oposição) e que a missão de observadores da Liga Árabe não conseguiu por enquanto evitar o derramamento diário de sangue.

O CNS acusa a Instância de ter mostrado o acordo à imprensa quando ele era apenas um resumo, enquanto a ICN afirma que o documento já foi assinado pelos líderes dos grupos após um mês e meio de negociações.

No fundo, sobressaem as diferentes visões que existem entre o CNS e certos setores da ‘oposição interna’, que são acusados de buscar certo grau de conivência com as autoridades e que chegaram a ser agredidos em suas visitas à sede da Liga Árabe no Cairo.

O porta-voz do CNS, Omar Edelbe, explicou à Agência Efe que ainda existem três pontos importantes de discórdia entre os grupos.

Em primeiro lugar, o CNS considera o chamado Exército Livre Sírio, soldados desertores que usam armas contra o regime, como ‘o braço que protege os manifestantes’, enquanto a ICN defende métodos exclusivamente pacíficos de protesto.

Os grupos também estão divididos sobre uma possível intervenção estrangeira, que a ICN rejeita totalmente, mas que o CNS considera ‘para proteger os civis’.

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O terceiro ponto de divergência é que a Instância rejeita se juntar ao CNS, e defende agrupar todos os movimentos em um Congresso Geral.

O chefe do Escritório de Imprensa do CNS e membro de sua administração, Ahmed Ramadan, explicou à Efe que o documento em questão recolhe as ideias que sua organização abordou com outros movimentos para apresentá-la perante a conferência geral da oposição convocada pela Liga Árabe, mas que não é um acordo.

No entanto, para a ICN, o fracasso para elaborar uma estratégia se deve a ‘um problema interno no Conselho, que não tem clara sua visão política’, segundo disse à Efe um de seus dirigentes.

Enquanto os grupos opositores se enfrentam em discussões, a repressão continua na Síria sem que a missão de observadores da Liga Árabe nem a chegada de um novo ano tenham detido as forças do regime.

Pelo menos nove pessoas morreram neste domingo, entre elas um menor, pelos disparos das forças de segurança e a força paramilitar, segundo a apuração oferecida pelos Comitês de Coordenação Local.

Quatro das vítimas foram registradas em Homs (centro), principal reduto dos opositores, enquanto outras três aconteceram em Hama (centro) e outras duas em Deraa (sul).

Os Comitês informaram que desde que os observadores árabes entraram na Síria no dia 22 de dezembro, 315 pessoas morreram pela repressão, entre elas 24 menores, e outras 125 foram detidas.

O número total de mortos que os Comitês registraram no ano 2011 desde o começo dos protestos em março é de 5.862.

Entre eles estão 395 menores e 146 mulheres, explicou o grupo em comunicado, que acrescentou que 287 pessoas perderam a vida após sofrerem torturas nas mãos das forças de segurança sírias. EFE

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