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Oposição síria diz que regime está perto do fim e convoca a deserção

Por Da Redação - 10 jun 2012, 19h44

O novo líder da oposição síria afirmou neste domingo que o regime de Bashar al Assad está “nas últimas”, convocando a desobediência civil e a deserção dos funcionários, em meio à espiral de violência que matou 171 pessoas neste fim de semana.

O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição ao regime de Assad, decidiu eleger como novo chefe o curdo Abdel Baset Sayda, exilado há anos na Suécia, por sua fama de moderado, apesar de ser um desconhecido e de sua falta de experiência política.

“Entramos em uma fase delicada. O regime está nas últimas. Os massacres quadruplicaram e os bombardeios mostram que está lutando para sobreviver”, disse pouco antes à AFP o novo líder do CNS, organismo que reúne islamitas, nacionalistas, independentes e militantes em campo.

“Segundo as informações que temos, o regime perdeu o controle de Damasco e de outras cidades”, acrescentou Sayda sem dar maiores detalhes. Os combates se intensificaram recentemente na capital, que continua sendo a cidade mais bem protegida pelas forças do regime.

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“O plano (de saída da crise do emissário internacional Kofi) Annan ainda existe, mas não se aplica. Vamos fazer o necessário para que este plano se inclua dentro do capítulo VII” da Carta das Nações Unidas, o que permitiria a adoção de sanções econômicas e talvez o uso da força, disse Sayda.

Rússia e China continuam totalmente contrárias a condenar o regime de Damasco e recorrer à força.

Desde que começou a revolta contra o regime de Bashar al Assad, em março de 2011, morreram no total 14.115 pessoas, a maioria civis, segundo novas cifras divulgadas neste domingo pelo opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

De Istambul, Sayda também fez um apelo à deserção dos funcionários do regime e dos que ocupam cargos nas instituições do Estado.

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“Convocamos à deserção todos os funcionários do regime e das instituições”, disse Sayda em árabe, em declarações logo traduzidas ao inglês.

O Conselho Nacional Sírio foi reconhecido no fim de março como “representante formal” do povo sírio pelos opositores e, em abril, o chamado Grupo de Amigos do povo sírio, que reúne vários países, qualificou o Conselho de “representante legítimo de todos os sírios”.

No entanto, os militantes do interior do país se consideram pouco representados no CNS, que não está coordenado com o Exército Sírio Livre (ASL), uma força de oposição armada constituída principalmente por desertores e que, neste domingo, fez um chamado à desobediência civil.

“Convocamos a população a lançar uma greve geral que leve à desobediência civil. Pedimos aos militares e aos oficiais do exército regular que não têm sangue nas mãos que se unam rapidamente aos combatentes”, declarou, em um comunicado, o coronel Kasem Saadedin, porta-voz do ASL na Síria.

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No domingo, 60 pessoas morreram vítimas da violência. No sábado foram pelo menos 111 os que morreram em confrontos violentos no país, segundo o OSDH, em um dos balanços diários de vítimas mais importantes em dois meses, desde que entrou em vigor a trégua, violada sistematicamente.

O chefe da diplomacia britânica, William Hague, comparou a situação na Síria à da Bósnia nos anos 1990, e recusou-se a excluir uma intervenção militar.

“Não penso que possamos excluir algo”, disse à Sky News. A Síria “mais parece a Bósnia nos anos 1990, estando à beira de uma guerra civil intercomunitária onde os povoados vizinhos se atacam entre si”, disse, em alusão à guerra da Bósnia-Herzegovina (1992-1995).

Centenas de rebeldes estão refugiados na região de Hafa, na província de Latakia (noroeste), um dos redutos dos partidários de Assad.

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Esta cidade e seus arredores, onde desde 5 de junho morreram 60 soldados e 46 civis e rebeldes, eram bombardeados este domingo pelo exército pelo sexto dia consecutivo.

Hafa é povoada, na maioria, por sunitas, dentro de uma província de maioria alauita, ala religiosa a que pertence a família de Bashar al Assad.

Por outro lado, Israel condenou neste domingo a violência na Síria.

“O governo sírio e os que o ajudam, o Irã e o Hezbollah (xiita libanês), exibem seu verdadeiro rosto, o do eixo do mal”, afirmou o premier israelense, Benjamin Netanyahu, em um comunicado.

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