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Oposição espera levar mais de um milhão de manifestantes para as ruas do Egito nesta terça-feira

Concentração começou logo cedo na cidade do Cairo, com 5 mil pessoas; exército disse que não usará força contra a população durante os protestos

Por Da Redação 1 fev 2011, 05h17

Oitavo dia de manifestações é considerado chave para o futuro político do presidente Hosni Mubarak

A oposição egípcia elegeu esta terça-feira como um dia decisivo no processo de queda do presidente Hosni Mubarak, no poder desde 1981. De acordo com líderes dos manifestantes, o objetivo é levar mais de um milhão de pessoas para as ruas, para demonstrar força e influência política tanto internamente quanto para a comunidade internacional.

Durante toda a madrugada, cerca de 5 mil pessoas permaneceram sob vigília no Cairo, ponto de partida dos protestos que devem tomar as ruas de outras cidades do país, como Alexandria e Gizé. Com a internet fora do ar, os manifestantes usam megafones para convocar a população a participar da marcha.

Exército – Na noite desta segunda-feira, um representante do Exército declarou que as Forças Armadas do país consideram as manifestações legítimas e que portanto não reprimiram com violência os protestos desta terça-feira. “Estamos cientes e reconhecemos as reivindicações legítimas de nossos cidadãos”, disse o corpo militar em nota oficial veiculada pela televisão estatal. O Exército já havia sido acionado em meio às marchas, mas não houve repressão. Há relatos de militares confraternizando com os manifestantes.

Ismail Etman, porta-voz das Forças Armadas, anunciou que as tropas garantirão a “liberdade de expressão”, mas alertou os manifestantes para não cometer atos “ameaçando a segurança e danificando propriedades”.

Protestos Egito 01/02
Protestos Egito 01/02 VEJA

Política – O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, disse nesta segunda-feira que o presidente Hosni Mubarak pediu que ele inicie um diálogo com todos os partidos políticos, inclusive sobre reformas constitucionais e legislativas, uma das principais reivindicações expressas pelos manifestantes anti-Mubarak. As emendas constitucionais incluem flexibilizar as restrições entre os políticos qualificados para disputar a próxima eleição presidencial. “O presidente me pediu para contatar imediatamente todas as forças políticas para iniciar um diálogo sobre as questões levantadas, que também envolvem reformas constitucionais e legislativas, de forma a resultar em alterações claras e em um calendário específico para sua implementação”, disse Suleiman em discurso pela televisão.

Na esfera econômica, o vice afirmou que o presidente tem funcionários do governo para “tomar medidas para restaurar a confiança no setor”. As emendas constitucionais são as principais reivindicações de grupos de oposição egípcios e de manifestantes que protestam nas ruas desde a última terça-feira no Cairo e em outras cidades para pressionar Mubarak a renunciar depois de 30 anos no poder e a convocar eleições diretas.

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