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Oposição espanhola pressiona Rajoy por escândalo de caixa 2

Opositores falam em apresentar moção de censura contra premiê

Por Da Redação 16 jul 2013, 19h42

A oposição da Espanha ameaça convocar uma moção de censura contra o primeiro-ministro Mariano Rajoy, que se recusou a comparecer perante o Parlamento para responder a questionamentos sobre o escândalo de caixa dois do partido. O Partido Popular (PP), de Rajoy, de centro-direita, tem maioria absoluta no Parlamento e, a menos que houvesse deserções significativas de membros do seu partido, sobreviveria a uma votação.

No entanto, uma moção de não confiança, usada apenas duas vezes desde a morte do ditador Francisco Franco, em 1975, faria com que Rajoy ou um representante fosse obrigado a comparecer ao Parlamento para se defender. Na segunda-feira, Rajoy rejeitou os apelos por sua renúncia por causa do escândalo e disse que não iria ceder a “chantagem”. Encurralado, o premiê disse que continuará a aplicar seu programa político até 2015, e que não planeja convocar eleições antecipadas.

A pressão sobre Rajoy aumentou depois do ex-tesoureiro do PP, Luis Bárcenas, pivô do escândalo de caixa dois, dizer na segunda-feira ao juiz Pablo Ruz, encarregado do caso, que em 2010 repassou 25 000 euros pessoalmente ao premiê. Bárcenas, de 55 anos, está preso desde junho acusado de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e outros crimes. O esquema envolveria doações ilegais feitas por magnatas da construção, distribuídas como pagamentos em dinheiro aos líderes partidários em troca de contratos com o governo.

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Em uma reunião da comissão permanente do Parlamento nesta terça-feira, o PP rejeitou novos pedidos da oposição para que Rajoy compareça a uma audiência no Senado. “Eu sei que não temos assentos suficientes (para ganhar um voto de não confiança), mas quero que ele compareça perante esta câmara”, disse o secretário-geral do socialista PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba.

O porta-voz do PP no Senado, José Manuel Barreiro, acusou nesta terça o secretário-geral do PSOE de ter formado uma “coalizão de interesses” com o ex-tesoureiro do PP. Em seu discurso perante o Conselho Permanente do Senado, que deve rejeitar o pronunciamento de Rajoy solicitado pelos grupos da oposição, Barreiro disse que o único interesse de Rubalcaba neste caso não é saber a verdade, mas tirar Rajoy do governo.

Caso – Luis Bárcenas apresentou sua renúncia definitiva como tesoureiro do PP em abril de 2010. Ele afirmou que o PP mantinha uma contabilidade paralela e que foi financiado de forma irregular durante 20 anos. O ex-tesoureiro também disse que havia entregado salários extras a altos escalões do partido.

(Com agências EFE e Reuters)

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