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Oposição diz que conversa de paz está fora de discussão depois de ataque

Coalizão opositora síria volta a defender punição ao ditador Bashar Assad, que nega uso de armas químicas pelas tropas

A coalizão que reúne grupos opositores sírios afirmou nesta segunda-feira que conversas de paz estão fora de discussão neste momento, depois do ataque que deixou centenas de mortos na última semana. A suspeita é que armas químicas tenham sido usadas na ação. Membros da Coalizão Nacional de oposição reuniram-se com representantes do grupo Amigos da Síria, que reúne nações ocidentais e árabes. Inicialmente, o encontro era planejar a conferência internacional de paz, prevista para ser realizada em Genebra, na Suíça. Depois do ataque, no entanto, o enfoque mudou.

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“Nós nos recusamos a falar sobre Genebra depois do que aconteceu… Nós devemos punir esse ditador, Bashar, ‘o Químico’, como o chamamos, e depois nós poderemos discutir Genebra”, disse à agência Reuters o secretário-geral da Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução, Badr Jamous.

Os planos para realização da conferência foram anunciados em maio, mas desde então, o encontro foi adiado várias vezes. Um dos problemas para sua realização é a falta de união entre os grupos rebeldes, o que dificultou a definição de um representante na reunião. Há duas semanas, um diplomata russo disse que a conferência não deveria ocorrer antes de outubro.

A oposição síria acusou forças do governo de usar gases venenosos lançados por mísseis contra áreas dominadas por rebeldes nos arredores de Damasco. Os números sobre mortos no ataque divergem. Há grupos que falam em 1 300 mortos, incluindo mulheres e crianças. No sábado, a organização Médicos Sem Fronteiras afirmou que 355 pessoas morreram. O grupo, sediado em Paris, afirmou ainda que três hospitais da região de Damasco receberam cerca de 3 600 pacientes com “sintomas neurotóxicos” causados por gás.

As imagens que correram o mundo na última quarta não deixam dúvidas de que os subúrbios de Damasco foram palco de cenas de horror: fotos de dezenas corpos de crianças, mulheres e idosos, além de vídeos em que médicos tentavam prestar assistência a meninos e meninas que não resistiam à falta de ar – e davam seu último suspiro diante da câmera. Os testemunhos consistentes das equipes médicas também confirmam: houve um massacre de civis na capital da Síria.

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Ainda faltam, no entanto, provas definitivas de que o ataque tenha sido perpetrado com armas químicas, como alegam os grupos opositores ao ditador sírio, Bashar Assad. Dúvida que um time de inspetores da ONU tenta dissipar, em uma investigação que teve início nesta segunda-feira. A equipe enfrentou um obstáculo logo no primeiro dia de trabalho, quando o comboio que a levava ao local dos ataques foi alvejado por franco-atiradores. As Nações Unidas apresentaram reclamações ao governo sírio e aos principais grupos opositores, em uma tentativa de garantir que o trabalho poderá continuar nos próximos dias sem ameaças aos inspetores.

Mesmo depois do ataque, a equipe visitou hospitais, conversou com testemunhas e recolheu amostras. Ao final, a ONU declarou que o dia “foi muito produtivo” e ressaltou que, apesar de a autorização de acesso dos inspetores ter demorado cinco dias, as Nações Unidas “estão confiantes de que será possível obter e analisar material relevante”.

(Com agência Reuters)